A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo dos Estados Unidos entrará em vigor no dia 22 de julho de 2026, conforme comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira (16). A medida, anunciada inicialmente em maio, afeta principalmente exportações de aço, alumínio e outros produtos industrializados do Brasil para o mercado americano.
Detalhes da tarifa
A sobretaxa foi justificada pelo governo americano com base em questões de segurança nacional, argumentando que a produção brasileira de aço e alumínio representa concorrência desleal para a indústria dos EUA. A tarifa de 25% se aplica a uma ampla gama de produtos, incluindo laminados planos, tubos, perfis e outros derivados de aço, além de ligas de alumínio. Segundo o Ministério da Economia brasileiro, a lista completa de itens abrange cerca de 200 códigos tarifários.
A decisão foi tomada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Departamento de Comércio dos EUA, que apontou que as exportações brasileiras cresceram 30% nos últimos dois anos, totalizando US$ 8,5 bilhões em 2025. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá.
Reação do governo brasileiro
O governo brasileiro manifestou insatisfação com a medida. O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota afirmando que a tarifa é injustificada e que o Brasil tomará as medidas cabíveis, incluindo a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). “A imposição unilateral de tarifas viola as regras do comércio internacional e prejudica a relação bilateral”, disse o ministro da Economia, Fernando Haddad, em entrevista coletiva. “Vamos defender os interesses dos nossos exportadores e trabalhadores.”
O governo também estuda retaliações comerciais, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos importados pelo Brasil, como milho, soja e carne de frango. Segundo fontes do Ministério da Agricultura, uma lista de possíveis alvos está sendo elaborada.
Impacto econômico
Especialistas estimam que a tarifa pode reduzir as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA em até 40% no curto prazo, afetando diretamente empresas como Gerdau, Usiminas e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). O setor siderúrgico brasileiro emprega cerca de 200 mil trabalhadores e responde por 1,5% do PIB industrial. A Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM) calcula que as perdas podem chegar a US$ 2 bilhões anuais.
O impacto não se limita ao aço e alumínio. A tarifa também atinge outros produtos, como máquinas, equipamentos e peças automotivas, que representam US$ 3 bilhões em exportações anuais. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) alertou que a medida pode levar ao fechamento de postos de trabalho e à redução de investimentos no setor industrial.
Contexto comercial
A relação comercial entre Brasil e EUA é uma das mais importantes para ambos os países. Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 75 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 10 bilhões. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. A imposição de tarifas ocorre em um momento de tensão comercial global, com os EUA adotando medidas protecionistas também contra a União Europeia e a China.
O Brasil já havia enfrentado tarifas semelhantes em 2018, durante a primeira administração Trump, que impôs sobretaxas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio. Na época, o governo brasileiro negociou cotas de exportação para evitar as tarifas, mas o acordo expirou em 2020. Agora, as novas tarifas são mais amplas e sem a possibilidade de cotas, segundo o comunicado americano.
Próximos passos
O governo brasileiro planeja enviar uma missão comercial a Washington na próxima semana para tentar reverter a decisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve discutir o assunto com o presidente americano durante a Assembleia Geral da ONU em setembro. Enquanto isso, as empresas brasileiras se preparam para o impacto, buscando novos mercados na Ásia e na Europa.
A entrada em vigor da tarifa em 22 de julho marca o início de um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países, com potenciais consequências para a economia brasileira e para o comércio global.



