A inflação de junho foi a menor para o mês em três anos, registrando 0,16%, mas ainda permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) desacelerou em relação a maio, que havia sido de 0,58%, puxado principalmente pela queda nos alimentos. No acumulado em 12 meses, a inflação chega a 4,64%, superando o teto da meta de 4,5% ao ano.
Alívio nos alimentos, mas ainda acima da média
Os alimentos, que por muito tempo foram vilões da inflação, ajudaram a segurar os preços em junho. O café, símbolo da alta nos supermercados, teve a maior queda desde o início do ciclo de alta no primeiro semestre de 2025. Frutas e carnes também baixaram. "Tem semanas que as frutas estão mais baratas. Aí eu compro bastante frutas e legumes", conta a fisioterapeuta Patrícia Portela Magaldi.
Depois da alta em maio, a alimentação caiu 0,24% em junho. Apesar do alívio momentâneo, o grupo acumula alta de 4,56% no ano, bem acima da inflação geral. "Lembrando que a inflação média é a que reajusta os salários. Então, se o salário é corrigido pela média, mas a alimentação subiu muito acima da média, as famílias constatam que estão desembolsando mais para comprar a mesma quantidade de alimentos. Então, isso é um desafio muito grande, principalmente para as famílias de baixa renda", afirma André Braz, economista do FGV/Ibre.
Na prática, muitos consumidores não sentem a diferença. "A gente não consegue sentir essa diferença no bolso", diz a servidora pública Gabriela Coelho.
Alta em alimentos básicos e pressão em habitação e transportes
Alguns alimentos básicos ficaram mais caros, como o feijão-carioca e a batata-inglesa. No entanto, o alívio geral nos alimentos ajudou a frear a inflação de junho. Os custos com habitação foram os que mais pesaram no IPCA, com destaque para a energia elétrica, que subiu mais uma vez. Nos transportes, o preço dos combustíveis recuou, mas as passagens aéreas continuaram elevadas.
Inflação acima da meta e impacto nos juros
Em 12 meses, a inflação acumulada de 4,64% está acima do teto da meta de 4,5% ao ano. "O cenário de inflação hoje não é confortável. A gente tem uma inflação que está em um nível elevado, acima do desejado. Porque está muito próximo do teto da meta. Então, o ideal é que ela estivesse abaixo disso, estivesse em um nível mais confortável para que a gente conseguisse reduzir a taxa de juros", afirma José Ronaldo de Castro Souza Junior, economista e professor do Ibmec.



