O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (16) em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,09, após os Estados Unidos anunciarem a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. A medida elevou a aversão ao risco nos mercados emergentes e pressionou o real.
Tarifa dos EUA impacta câmbio e Bolsa
O anúncio da tarifa americana sobre o Brasil gerou incertezas entre investidores, que buscaram proteção no dólar. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também sentiu o impacto e fechou em queda, influenciado pelo setor exportador e pela piora no humor global.
Segundo analistas do mercado financeiro, a medida protecionista dos EUA pode reduzir a competitividade de produtos brasileiros e afetar negativamente a balança comercial. "A tarifa cria um ambiente de incerteza para o comércio bilateral e pode levar a uma retaliação por parte do Brasil", afirmou um economista do Banco Fator.
Juros futuros sobem e Tesouro IPCA+ pressionado
No mercado de juros, as taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram ao longo de toda a curva, seguindo o movimento dos Treasuries americanos. O Tesouro IPCA+ também registrou alta nas taxas, refletindo a maior aversão ao risco e as expectativas de inflação.
O movimento foi impulsionado pela percepção de que a tarifa pode gerar pressões inflacionárias no Brasil, ao encarecer insumos importados. "O mercado precifica um cenário de juros mais altos por mais tempo", comentou um operador de renda fixa.
Petróleo fecha em queda apesar de tensão no Oriente Médio
O petróleo encerrou o dia em baixa, mesmo com o aumento das tensões no Oriente Médio. O barril do Brent recuou 1,2%, para US$ 84,50, enquanto o WTI caiu 1,5%, para US$ 80,20. A queda foi atribuída a preocupações com a demanda global e à valorização do dólar.
Apesar das ameaças do Irã de fechar rotas marítimas, o mercado de petróleo focou nos estoques elevados nos EUA e na desaceleração econômica na China. "O prêmio de risco geopolítico não foi suficiente para sustentar os preços", disse um analista do setor.
Empresas brasileiras reagem: Ânima sobe, Copel cai
No mercado acionário, a Ânima Educação saltou mais de 9%, recuperando-se de fortes perdas recentes, após anúncio de aumento de participação de um acionista relevante. Já a Copel recuou 3%, depois de elevar sua meta de alavancagem financeira, o que gerou cautela entre analistas do JPMorgan quanto à distribuição de dividendos.
A Movida (MOVI3) dobrou seu lucro líquido no segundo trimestre de 2026, atingindo R$ 135,6 milhões, impulsionada pela venda de ativos e pela recuperação do setor de locação de veículos.



