O volume de importados no Brasil cresceu 35% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo fim da taxação das chamadas blusinhas. A medida, que vigorou até março, isentava do imposto de importação remessas internacionais de até US$ 50, gerando um boom de compras online de produtos chineses.
Impacto na indústria nacional
O setor têxtil e de confecções foi o mais afetado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), as vendas de vestuário nacional caíram 12% no período, enquanto as importações de peças de baixo custo, como camisetas e blusas, saltaram 78%. “Estamos vivendo uma concorrência desleal. O produto estrangeiro chega sem impostos, enquanto o nacional paga uma carga tributária de mais de 40%”, afirma José Carlos de Oliveira, presidente da Abit.
Dados do comércio exterior
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as importações de bens de consumo, especialmente aqueles com valor inferior a US$ 50, cresceram 45% no segundo trimestre. As plataformas de e-commerce internacionais, como Shopee, AliExpress e Shein, registraram aumento de 60% no número de pedidos em relação ao primeiro trimestre.
Reação do governo
O governo federal estuda retomar a taxação para remessas de baixo valor, mas enfrenta resistência de consumidores e de parte do Congresso. “A medida foi aprovada para beneficiar o consumidor de baixa renda, mas o impacto na indústria é preocupante. Precisamos de um equilíbrio”, reconheceu o ministro da Economia, Pedro Lopes, em entrevista coletiva.
Medidas emergenciais
A Abit e outras entidades do setor produtivo entregaram ao governo uma proposta de medidas emergenciais, que incluem a criação de um imposto seletivo sobre importados de baixo valor e a redução do ICMS para a indústria nacional. “Sem ação, o setor pode perder milhares de empregos”, alerta Oliveira.
O debate sobre a taxação das blusinhas deve se intensificar nas próximas semanas, com audiências públicas no Congresso e reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico.



