Fifa analisa protesto político de jogadores argentinos sobre Malvinas
Fifa analisa protesto político de argentinos sobre Malvinas

O Comitê Disciplinar independente da FIFA informou ao GLOBO, nesta quinta-feira, que está analisando a manifestação política dos jogadores da Argentina que ergueram uma bandeira com os dizeres 'As Malvinas são argentinas' após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo, em Atlanta. A entidade proíbe manifestações de caráter político em seus torneios.

Procedimento padrão de análise

“Como é procedimento padrão, o Comitê Disciplinar independente da FIFA está atualmente analisando os relatórios da partida e considerando as circunstâncias relevantes antes de decidir sobre possíveis medidas adicionais com base no Código Disciplinar da FIFA”, respondeu a entidade ao GLOBO. O Comitê não deixou claro se haverá punição, mas destacou que a análise segue o procedimento padrão.

Possíveis sanções previstas

O gesto pode ser enquadrado como manifestação política, vedada pelo regulamento da FIFA e pelas Leis do Jogo da International Football Association Board (IFAB). As normas determinam que equipamentos, faixas e outros materiais não podem conter mensagens políticas, religiosas ou pessoais. Em caso de infração, a entidade prevê sanções aos atletas e/ou à seleção. O Código de Conduta para Estádios da FIFA também proíbe a exibição de faixas, bandeiras e materiais de natureza política, ofensiva ou discriminatória. As medidas disciplinares variam de advertência a multa, devolução de prêmios e até retirada de títulos, além de obrigações financeiras decorrentes de processos judiciais.

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Contexto da Guerra das Malvinas

A faixa faz referência à Guerra das Malvinas, em 1982, que envolveu Argentina e Inglaterra pela soberania do arquipélago na costa sul-americana, então ocupado pelos britânicos. O exército argentino tentou tomar as ilhas, mas foi derrotado, com quase 650 soldados mortos — também morreram 255 soldados ingleses e 3 civis.

Comemoração e provocações

Após a vitória, um grupo de jogadores argentinos pegou a faixa da arquibancada e comemorou. Entre eles estavam Lisandro Martínez, Lo Celso e Otamendi. Depois, a faixa foi colocada no gramado e Enzo Fernández a entregou a um membro da equipe técnica. O zagueiro Lisandro Martínez também pegou um instrumento musical, e os jogadores provocaram os ingleses com a música “quem não salta, é um inglês”, enquanto pulavam. Além disso, cantaram “1 minuto de silêncio para os ingleses que estão mortos”.

Declarações dos jogadores

O meia Leandro Paredes não fugiu da polêmica: “Sempre serão argentinas”, disse ao canal Telefe. Em resposta à TyC Sports, afirmou: “Estávamos conscientes de que não era somente uma partida de futebol. É uma parte triste de nossa história, sabíamos que também jogaríamos por eles (mortos na guerra).”

Próximo desafio e histórico

Com a vitória, a Argentina enfrentará a Espanha no domingo (19), às 16h (de Brasília), em Nova Jersey, na final da Copa do Mundo. Em 2014, a seleção já havia realizado ato semelhante: em amistoso contra a Eslovênia, jogadores exibiram faixa com a mesma frase, e a FIFA multou a Argentina em 30 mil francos suíços (cerca de R$ 73 mil na época).

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