O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) registrou queda de 0,03% em julho, contrariando as expectativas do mercado, que previam alta de 0,10%. Com esse resultado, o indicador acumula inflação de 3,60% em 12 meses, reforçando o cenário de desaceleração dos preços no país.
Resultado abaixo do esperado
Segundo dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a variação negativa de julho foi puxada principalmente pela queda nos preços de transportes e habitação. O grupo transportes recuou 0,45%, influenciado pela redução nos preços dos combustíveis, enquanto habitação apresentou leve baixa de 0,02%.
Em contrapartida, os grupos alimentação e despesas pessoais registraram altas, mas em ritmo menor do que nos meses anteriores. A alimentação subiu 0,18%, enquanto despesas pessoais avançaram 0,10%.
Impacto na política monetária
O resultado do IPC-Fipe é um dos indicadores acompanhados pelo Banco Central para definir a trajetória da taxa Selic. Com a inflação abaixo do centro da meta, cresce a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa cortar a Selic para 14% ao ano na próxima reunião.
Segundo analistas, a deflação de julho reforça o argumento de que a política monetária restritiva está surtindo efeito, abrindo espaço para um corte de 0,50 ponto percentual. No entanto, a decisão final dependerá de outros fatores, como o cenário fiscal e o comportamento do câmbio.
Projeções para os próximos meses
Para o fechamento de 2025, o mercado projeta uma inflação em torno de 4,5%, ainda acima do centro da meta de 3%, mas dentro do intervalo de tolerância. A mediana das estimativas do Boletim Focus indica que a Selic pode encerrar o ano em 13,75% ao ano, com novos cortes ao longo do segundo semestre.
O IPC-Fipe é calculado com base nos preços praticados na cidade de São Paulo e é um dos índices mais antigos do país, servindo de referência para contratos de aluguel e outras correções monetárias.



