Brasil avança na bioeconomia, mas financiamento de ativos naturais é desafio
Bioeconomia no Brasil: financiar ativos naturais é o desafio

O Brasil tem se destacado no cenário global da bioeconomia, mas enfrenta obstáculos significativos para financiar a infraestrutura natural essencial, como florestas, bacias hidrográficas e ciclos hídricos. Programas como o Eco Invest e iniciativas estaduais buscam valorizar ativos ambientais, mas ainda tratam áreas protegidas como custos, não como investimentos.

Seca histórica reforça urgência da conservação

A seca histórica que atingiu diversas regiões do país evidenciou a importância da conservação ambiental. Segundo especialistas, a falta de financiamento adequado para a infraestrutura natural compromete a resiliência climática e a biodiversidade. “Precisamos mudar a lógica de que áreas protegidas são despesas; elas são ativos que geram serviços ecossistêmicos”, afirmou um pesquisador ouvido pelo GLOBO.

Modelo pioneiro de valoração em unidades de conservação

Um modelo pioneiro de valoração de ativos ambientais em unidades de conservação (UCs), liderado por estados amazônicos, busca reverter essa lógica. A iniciativa propõe que os serviços prestados por florestas e rios sejam precificados e incorporados a mecanismos financeiros, como títulos verdes e pagamentos por serviços ambientais. O objetivo é atrair investimentos privados e garantir recursos estáveis e previsíveis para a manutenção desses ecossistemas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Programas existentes e desafios de escala

Programas como o Eco Invest, do governo federal, já direcionam recursos para projetos de bioeconomia, mas o montante ainda é insuficiente diante da magnitude do desafio. Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que menos de 10% das UCs brasileiras têm acesso a fontes de financiamento contínuas. “Sem um fluxo financeiro estável, a conservação fica vulnerável a cortes orçamentários e mudanças políticas”, alerta um analista do setor.

Perspectivas para a liderança brasileira na bioeconomia

A liderança do Brasil na bioeconomia dependerá, antes de tudo, de financiar de forma estável e previsível os ativos naturais. Iniciativas como a valoração de UCs podem servir de modelo para outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica. No entanto, especialistas ressaltam que é necessário ampliar o diálogo entre governos, setor privado e comunidades locais para criar mecanismos financeiros inovadores e inclusivos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar