A Volvo registrou queda de 4 pontos percentuais em suas vendas globais no segundo trimestre de 2026, reflexo direto da fraqueza do mercado chinês e de um cenário econômico desafiador em várias regiões. A montadora sueca, controlada pela chinesa Geely, reportou números que acendem alerta para o setor automotivo, que enfrenta pressões de demanda e transformação tecnológica.
Desempenho por região
Na China, principal mercado individual da marca, as vendas caíram 12% no período, enquanto na Europa o recuo foi de 3%. Já nos Estados Unidos, houve leve alta de 1%, mas insuficiente para compensar as perdas. No total, a Volvo vendeu 172.000 veículos entre abril e junho, ante 179.000 no mesmo período de 2025.
O resultado reflete a desaceleração econômica chinesa, que afetou a confiança do consumidor e o mercado de luxo. A empresa também citou a concorrência acirrada de montadoras locais, especialmente no segmento de elétricos, onde a Volvo enfrenta rivais como BYD e NIO.
Impacto nos lucros
A queda nas vendas impactou diretamente a receita, que diminuiu 5% em relação ao ano anterior, totalizando 89 bilhões de coroas suecas (cerca de 8,5 bilhões de dólares). O lucro operacional recuou 8%, para 6,2 bilhões de coroas, pressionado por custos de produção e investimentos em eletrificação.
Segundo o CEO Jim Rowan, em comunicado oficial, “a fraqueza na China e a incerteza macroeconômica global estão moldando nosso ambiente de negócios. Estamos ajustando nossa estratégia para priorizar a rentabilidade e a resiliência, sem comprometer nossos planos de longo prazo em veículos elétricos”.
Estratégia de eletrificação
Apesar do cenário adverso, a Volvo mantém sua meta de se tornar uma marca totalmente elétrica até 2030. No segundo trimestre, os veículos eletrificados (incluindo híbridos plug-in) representaram 42% das vendas totais, um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao ano passado. Os elétricos puros, porém, tiveram participação de apenas 18%, abaixo da meta interna de 25%.
Para impulsionar a demanda, a empresa lançará o EX30, um SUV compacto elétrico de entrada, na China ainda este ano, esperando atrair consumidores mais jovens. Além disso, a Volvo está expandindo sua rede de carregamento rápido em parceria com outras montadoras.
Perspectivas para o segundo semestre
Analistas do setor projetam que a Volvo enfrentará desafios contínuos na China, mas veem potencial de recuperação na Europa e nos EUA, onde a demanda por elétricos segue crescendo. A montadora, no entanto, alertou que as tensões comerciais e a volatilidade cambial podem afetar os resultados futuros.
“O segundo semestre será crucial para avaliarmos a eficácia de nossas ações. Estamos confiantes em nossa capacidade de adaptação, mas não podemos ignorar os riscos”, afirmou Rowan. A Volvo também revisou sua projeção de crescimento de vendas para o ano inteiro, de 8% para 5%.
Reação do mercado
As ações da Volvo caíram 3,5% na bolsa de Estocolmo após a divulgação dos resultados, refletindo a preocupação dos investidores com a desaceleração. Especialistas recomendam cautela, mas destacam que a marca ainda tem fundamentos sólidos, com uma base de clientes leais e uma estratégia clara de eletrificação.



