As ações da Ânima Educação despencaram 30% nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, após a empresa anunciar a recompra da Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 1,2 bilhão. O negócio foi classificado como caro e atípico por analistas do mercado financeiro.
Detalhes da operação
A Ânima, que havia vendido a FMU em 2021 por R$ 800 milhões, agora readquire a instituição de ensino por um valor 50% superior. A transação será paga em dinheiro e ações, com um desembolso imediato de R$ 600 milhões. Segundo a empresa, a recompra faz parte de uma estratégia de consolidação no setor de educação superior.
Analistas do Credit Suisse classificaram a operação como "surpreendente e potencialmente destrutiva de valor". Em relatório, eles afirmam que o preço pago equivale a 12 vezes o EBITDA da FMU, considerado elevado para o setor. "A transação parece atípica, dado que a Ânima vendeu a FMU há cinco anos por um valor menor e agora a recomprea a um prêmio significativo", destacaram.
Reação do mercado
O mercado reagiu negativamente, com as ações da Ânima caindo de R$ 15,00 para R$ 10,50, uma desvalorização de 30%. O volume negociado foi 10 vezes superior à média diária, indicando forte aversão ao negócio. O índice de referência do setor educacional caiu 2% no mesmo dia.
O CEO da Ânima, Daniel Salem, defendeu a operação em teleconferência com investidores. "A FMU é um ativo estratégico que complementa nosso portfólio em São Paulo. O preço reflete o potencial de sinergias e o crescimento futuro", afirmou. No entanto, analistas do BTG Pactual consideram o argumento frágil. "A empresa poderia ter investido em crescimento orgânico ou aquisições mais baratas", disseram em nota.
Impacto financeiro
A dívida líquida da Ânima deve saltar de R$ 2 bilhões para R$ 2,6 bilhões, elevando a alavancagem para 3,5 vezes o EBITDA. A empresa planeja vender ativos não estratégicos para reduzir o endividamento, mas analistas duvidam da viabilidade. "O mercado de fusões e aquisições está desaquecido, e a venda de ativos pode demorar", alertou o UBS.
A recompra da FMU ocorre em um momento de recuperação do setor educacional, com aumento de matrículas e melhora de margens. No entanto, a operação levanta dúvidas sobre a disciplina de capital da Ânima. "Parece um movimento emocional, não racional", concluiu o analista do Santander.



