Um foguete da SpaceX, abandonado em órbita, colidirá com a Lua na madrugada desta quarta-feira, 4, às 3h35 (horário de Brasília). O impacto, a 8.700 km/h, abrirá uma cratera de aproximadamente 27 metros de diâmetro e lançará uma nuvem de poeira e detritos que cientistas de todo o mundo planejam observar. O evento será visível em partes das Américas, incluindo o leste dos EUA, Canadá e grande parte da América do Sul.
Detalhes da colisão e trajetória do foguete
O estágio superior do foguete, com cerca de 12 metros de comprimento e 4.500 quilos, foi lançado em 15 de janeiro de 2025, transportando dois módulos de pouso lunar privados. Um deles, o Blue Ghost da Firefly Aerospace, tornou-se a primeira espaçonave privada a pousar com sucesso na Lua. O outro, da empresa japonesa iSpace, sofreu danos durante a missão.
O especialista em rastreamento espacial Bill Gray, que previu o impacto, afirma que a colisão ocorrerá próximo à Cratera Einstein, na borda entre o lado iluminado e o lado oculto da Lua. A energia liberada será equivalente a três toneladas de dinamite, criando uma cratera pequena demais para ser vista da Terra, mas visível para espaçonaves em órbita lunar.
Riscos e oportunidades para a ciência
Embora o acidente não represente uma ameaça imediata, ele destaca o crescente problema do lixo espacial. "As coisas estão ficando lotadas por lá", disse Gray, que planeja observar as consequências da colisão de New Brunswick, no Canadá. O evento oferece uma oportunidade única para estudar impactos em solo lunar, algo que cientistas consideram crucial para futuras missões tripuladas.
Benjamin Fernando, do Laboratório Nacional de Los Alamos, nos EUA, está incentivando observações profissionais e amadoras. "A gravidade na Lua é baixa e não há vento para dissipar a poeira", explicou. "Parte do motivo do nosso interesse neste evento é descobrir o quanto os impactos de detritos representam um risco para os futuros astronautas."
Monitoramento e histórico de impactos
Esta será a segunda colisão acidental conhecida de um foguete com a Lua. Em 2022, um segmento de foguete chinês abriu duas crateras no lado oculto. A Nasa já colidiu intencionalmente espaçonaves com a Lua, como na missão LCROSS em 2009, para buscar gelo no polo sul. Agora, com a Lua se tornando um destino cada vez mais visado, cientistas alertam para a necessidade de melhorar o monitoramento de detritos e o controle de tráfego espacial.
O Orbitador de Reconhecimento Lunar da Nasa e o orbitador sul-coreano Danuri coletarão imagens do local do impacto antes e depois da colisão. O Danuri passará a poucos quilômetros do foguete apenas dois minutos antes do impacto, segundo Fernando e sua equipe.
Corrida lunar e implicações futuras
Estados Unidos e China competem para levar astronautas à Lua nos próximos anos. A SpaceX, de Elon Musk, e a Blue Origin, de Jeff Bezos, disputam o contrato para o módulo de pouso da missão Artemis IV da Nasa. O astrofísico aposentado Jonathan McDowell comentou: "Esse impacto não será um problema. Mas, em um futuro onde existam bases permanentes na Lua, impactos semelhantes seriam um problema e não podemos deixar estágios de foguetes em órbitas caóticas desse tipo."
A colisão iminente serve como um alerta sobre os riscos do lixo espacial e a necessidade de práticas sustentáveis na exploração espacial, enquanto a humanidade se prepara para uma presença mais permanente na Lua.



