DNA de múmias chilenas revela chegada da varíola às Américas
DNA de múmias chilenas revela chegada da varíola

Um estudo publicado na revista Science recuperou os genomas do vírus da varíola a partir de restos mortais de múmias chilenas com cerca de 500 anos, fornecendo a evidência mais forte até agora de que a doença chegou ao continente americano durante a colonização europeia.

Descoberta em múmias chilenas

Pesquisadores analisaram amostras de tecido de múmias encontradas no Chile, que datam de aproximadamente 500 anos atrás. A análise genética revelou a presença do vírus da varíola, permitindo a recuperação de genomas completos do patógeno. Essa é a primeira vez que se consegue obter material genético tão antigo do vírus, o que abre novas perspectivas para o estudo da história das doenças infecciosas.

Os genomas recuperados foram comparados com cepas modernas e históricas do vírus, permitindo traçar a rota de transmissão. Os resultados indicam que a varíola foi introduzida nas Américas pelos colonizadores europeus, provavelmente no século XVI, durante as expedições de conquista e colonização.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Evidência mais forte até agora

Até então, as evidências sobre a origem da varíola nas Américas eram baseadas em relatos históricos e em análises indiretas. Este estudo genético fornece a prova mais concreta, ao recuperar diretamente o DNA do vírus de restos humanos da época. Segundo os autores, a descoberta confirma que a varíola foi uma das doenças introduzidas pelos europeus que causaram devastação entre as populações indígenas, que não tinham imunidade prévia.

Os pesquisadores destacam que a recuperação de genomas antigos de patógenos é um avanço significativo para a paleogenética e para a compreensão da dinâmica de epidemias históricas. A técnica utilizada pode ser aplicada a outros vírus e bactérias, ajudando a reconstruir a história de outras doenças.

Impacto na história das Américas

A chegada da varíola às Américas teve consequências demográficas e sociais profundas. Estima-se que doenças como a varíola, o sarampo e a gripe tenham dizimado até 90% da população indígena em algumas regiões, facilitando a conquista europeia. Este estudo reforça o papel das epidemias no colapso das civilizações pré-colombianas e na formação das sociedades americanas modernas.

Os autores do estudo, que incluem pesquisadores de instituições do Chile, Estados Unidos e Europa, esperam que os dados genéticos ajudem a entender melhor como o vírus evoluiu e se adaptou a novos hospedeiros. Eles também planejam expandir a análise para outras regiões das Américas, a fim de mapear com mais precisão a disseminação da doença.

Implicações para a ciência e a saúde pública

Além do interesse histórico, o estudo tem implicações para a saúde pública atual. Compreender como patógenos emergentes se espalham e causam epidemias é fundamental para prevenir futuras pandemias. A varíola, que foi erradicada globalmente em 1980, serve como um alerta sobre o potencial de doenças infecciosas de causar estragos em populações sem imunidade.

Os pesquisadores ressaltam a importância de preservar e estudar restos humanos antigos, que são fontes valiosas de informação sobre a história das doenças. A colaboração internacional e o uso de tecnologias avançadas de sequenciamento foram essenciais para o sucesso do estudo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar