O Ministério Público de Contas (MPC) emitiu parecer recomendando a anulação da compra de R$ 46 milhões em lousas digitais pela Prefeitura de Sorocaba. A aquisição, realizada em 2021 durante a gestão do prefeito Rodrigo Manga, já era alvo de investigação por suspeita de superfaturamento de R$ 11 milhões, conforme apontado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
O parecer do MPC, apresentado em 14 de janeiro, considera irregular o processo licitatório, o contrato de R$ 46.990.000,00 e a própria aquisição. O órgão também opinou pela procedência da denúncia feita pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) sobre o superfaturamento.
Em maio de 2025, Rodrigo Manga e o ex-secretário de Educação, Márcio Carrara, tornaram-se réus na Justiça por improbidade administrativa. A investigação revelou que o edital da licitação foi copiado da proposta da empresa vencedora, Educateca Serviços Educacionais, incluindo erros de português. Além disso, o modelo de compra, que agrupou todos os itens em um único lote, restringiu a competição.
O contrato previa a entrega de 1.200 lousas digitais para escolas da cidade, com pagamento de R$ 31,2 milhões apenas pelos equipamentos. Segundo o Portal da Transparência, R$ 44,4 milhões já foram pagos à Educateca. A Prefeitura de Sorocaba afirmou não ter sido notificada sobre a manifestação do MPC, e a empresa não foi localizada para comentar.
Este não é o primeiro problema envolvendo a Educateca em Sorocaba. Em 2013, uma licitação semelhante foi anulada por impedir a participação de outras empresas. O TCE do Rio de Janeiro e de Santa Catarina também apontaram irregularidades em contratos da mesma empresa com outras prefeituras.



