Val Ceasa movimentou R$ 13 milhões, aponta MPRJ; deputado nega
Val Ceasa movimentou R$ 13 milhões, aponta MPRJ; deputado nega

Uma investigação conjunta do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil revelou que o deputado estadual Val Ceasa (PRD) possui imóveis e bens avaliados em aproximadamente R$ 13 milhões. Esse montante é substancialmente superior ao patrimônio de R$ 1 milhão declarado pelo parlamentar em 2022. As autoridades suspeitam que Val Ceasa atue na lavagem de dinheiro para o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das principais facções criminosas do estado, e que tenha usado sua influência para favorecer os interesses do grupo, especialmente nos bairros de Irajá e adjacências, na Zona Norte do Rio.

Bens e movimentações financeiras

De acordo com o MPRJ e a Polícia Civil, Val Ceasa, cujo nome de batismo é Roosevelt Barreto Barcelos, iniciou sua trajetória no Centro de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa), onde se tornou proprietário de diversos boxes. Já em 2016, a 27ª Delegacia de Polícia (Vicente de Carvalho) investigava indícios de extorsão contra comerciantes e suspeitas de lavagem de dinheiro vinculadas ao TCP.

Nos últimos anos, o deputado adquiriu vários outros bens, entre eles:

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  • Diversas empresas ligadas ao comércio e cultivo de frutas e abastecimento, com capital social total de R$ 800 mil, localizadas no Rio de Janeiro e no Espírito Santo;
  • Um imóvel rural com área equivalente a um campo de futebol;
  • Um galpão avaliado em R$ 3 milhões;
  • Um apartamento de frente para a praia no Recreio dos Bandeirantes, avaliado em R$ 1,5 milhão;
  • Uma casa na Barra da Tijuca avaliada em R$ 5,5 milhões.

O Ministério Público solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do parlamentar, além de relatórios de inteligência financeira. Durante buscas na residência de Val Ceasa, agentes apreenderam R$ 166 mil em espécie. Outros R$ 150 mil foram encontrados em endereços adicionais ligados a ele.

Envolvimento de Ulisses Marins

Ulisses Marins, também alvo da operação realizada nesta quinta-feira (18), teria utilizado um imóvel onde funcionava seu comitê eleitoral para esconder armas e drogas pertencentes ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão. Peixão é o principal líder do TCP na região denominada Complexo de Israel, que abrange as favelas de Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral, Cinco Bocas e Pica-Pau.

Detalhes da operação

A operação teve como alvos agentes públicos suspeitos de ligação com o TCP. Ao todo, a Polícia Civil e o MPRJ cumpriram 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Um dos endereços foi a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo a força-tarefa, Val Ceasa, Ulisses e um ex-assessor tentaram impedir a demolição do “resort” do chefão do TCP, o que teria adiado a operação policial para demolir o imóvel. Duas pessoas foram presas em flagrante.

Procurado, Val Ceasa afirmou à GloboNews que trabalha em prol das pessoas mais humildes e negou ter procurado o batalhão para impedir a demolição do “resort” de Peixão. Um documento da Secretaria de Ordem Pública, no entanto, indica que ele e o ex-vereador Ulisses Marins teriam se envolvido na tentativa de preservar o local.

Ação para salvar o ‘resort’

A investigação teve início na Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf) da Polícia Civil e foi encaminhada ao MPRJ. O procurador-geral de Justiça do estado, Antonio José Campos Moreira, solicitou os mandados, e a Justiça autorizou as buscas. A força-tarefa encontrou indícios de que os agentes públicos procuraram a Polícia Militar para evitar a demolição de imóveis de luxo do TCP, incluindo o “resort” de Peixão, batizado de “Resort Green”. O espaço, localizado em uma área de preservação ambiental em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, contava com piscinas e até um lago para criação de carpas.

Segundo o MPRJ, os investigados teriam usado a influência de seus cargos para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais. No entanto, as apurações indicam que essa justificativa não correspondia à realidade.

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Defesa de Val Ceasa

Pouco antes de chegar à Alerj, o deputado Val Ceasa declarou que vem sofrendo perseguição política e que, se a investigação for séria, ele sairá como “herói”. “A população sabe quem é Val Ceasa, eu trabalho de domingo a domingo dando dignidade para a população”, afirmou.

Notas oficiais

Nota da Alerj: “A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informa que acompanha a operação realizada nesta quinta-feira pelo Ministério Público. A Casa reforça seu compromisso com a transparência e coloca-se à disposição para prestar toda a colaboração necessária ao andamento das investigações. A Alerj reitera que atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense.”

Nota da Prefeitura do Rio: “A Prefeitura do Rio informa que o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais. Os atos publicados no dia 10 de novembro de 2025 foram tornados sem efeito no dia 17 de novembro de 2025, pois a Prefeitura do Rio possui, desde 2021, um setor na Secretaria de Integridade que analisou e reprovou a sua nomeação.”