O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) teve seu último pedido para ser candidato ao governo de Minas Gerais rejeitado pelo presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira, durante a convenção nacional da legenda em Brasília, nesta terça-feira (4). Com a negativa, o senador fica oficialmente impedido de disputar o Palácio Tiradentes nas eleições de 2026, uma vez que o prazo de filiação partidária já expirou e a legislação não permite candidaturas avulsas.
Um pedido público e a resposta do partido
Durante a convenção, Cleitinho fez um apelo emocionado, afirmando que Deus teria falado com ele e enviado uma mensagem pelo Espírito Santo para que fosse candidato. "Pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todos os caminhoneiros, por toda a enfermagem que existe, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente me dê essa vaga", exclamou.
Marcos Pereira, no entanto, declarou encerrada a fase deliberativa da convenção e sustentou que já havia dado várias oportunidades para o senador se decidir. "Essa convenção não é para deliberar sobre decisões do estado de Minas nem de nenhum outro estado da Federação", emendou, negando o pedido em seguida.
Uma trajetória marcada por idas e vindas
A possível candidatura de Cleitinho foi marcada por indefinições e divergências públicas com a direção do partido desde o lançamento da pré-candidatura em março. Em 1º de abril, ele publicou um vídeo nas redes sociais negando boatos de desistência, afirmando: "Estão falando que eu vou desistir. Será". Três dias depois, terminou o prazo de filiação partidária, o que o impediria de trocar de legenda caso desejasse.
Em 10 de junho, no Senado, Cleitinho condicionou sua candidatura à "vontade de Deus" e à liderança nas pesquisas. "É o povo que vai decidir", disse. No mesmo discurso, criticou adversários: "O que mais me chama a atenção por conta de alguns políticos que ficam soltando isso em Minas Gerais, falando: 'O Cleitinho está com medo de pegar um estado quebrado', é que são os mesmos que quebraram o estado e querem continuar tomando conta dele".
Pesquisas mostravam liderança, mas partido buscava alternativa
Pesquisas Quaest divulgadas em abril e julho mostravam Cleitinho liderando todos os cenários para o governo mineiro. Em 28 de julho, uma nova pesquisa confirmou sua liderança, mas, no mesmo dia, o Republicanos e o PL passaram a negociar apoio a Marcelo Aro (PP), considerado mais competitivo e um palanque melhor para Flávio Bolsonaro. Pesquisas internas indicavam que Aro teria mais chances de vitória.
Em 29 de julho, as contradições atingiram o auge: Marcos Pereira afirmou que Cleitinho não seria candidato, mas a assessoria do senador divulgou nota desmentindo. À noite, em Divinópolis, Cleitinho reafirmou a intenção de concorrer e pediu desculpas pela conduta. "Em todos os cenários eu lidero as pesquisas. O que eu falei é que se até o final eu estiver liderando pesquisas, eu serei candidato. A última pesquisa mostra que eu tenho 40% de aprovação. A voz do povo é a voz de Deus. Eu serei candidato!", afirmou.
Morte do irmão e desistência anunciada
Em 18 de julho, Cleitinho perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. A interlocutores, o senador teria dito que não tinha cabeça para fazer campanha e estava de luto. Em 25 de julho, não compareceu à convenção estadual do partido, nem enviou procuração para formalizar a candidatura.
Em 3 de agosto, em vídeo ao lado de Marcos Pereira, Cleitinho anunciou a desistência. Pereira disse que a decisão foi "espontânea diante do momento difícil que está vivenciando". "Nós tivemos uma reunião longa. Cinco horas de reunião em São José dos Campos. E demos toda a oportunidade para que ele pudesse ser candidato, mas ele tem uma decisão pessoal que ele precisa dizer, por causa desse momento que ele está passando", afirmou.
Impedimento legal para outra legenda
Cleitinho não pode deixar o Republicanos para concorrer por outra legenda porque o prazo de filiação partidária terminou em 4 de abril. A legislação eleitoral exige que candidatos estejam filiados ao partido pelo qual pretendem concorrer pelo menos seis meses antes da eleição. Além disso, o sistema eleitoral brasileiro não permite candidaturas sem partido. Assim, sem o aval do Republicanos, o senador fica impedido de disputar o governo de Minas Gerais em 2026.
Repercussão e cenário eleitoral
A decisão do Republicanos encerra uma novela que se arrastou por meses e deixa o partido sem um nome próprio na disputa pelo governo mineiro. Com a negativa, a legenda deve apoiar Marcelo Aro (PP) ou outro nome do PL. A ausência de Cleitinho, que liderava as pesquisas com 40% das intenções de voto, muda o cenário eleitoral em Minas Gerais, abrindo espaço para outros candidatos.
A situação também levanta questionamentos sobre o futuro político de Cleitinho, que permanece no Senado até 2030. O senador, conhecido pelo estilo popular e pela defesa de pautas como segurança pública e direitos dos caminhoneiros, deve continuar atuando no Congresso, mas sem disputar o Executivo estadual neste ano.



