Gigantes de tecnologia comprometem US$ 1,09 tri em data centers para IA
Gigantes de TI comprometem US$ 1,09 tri em data centers

As cinco maiores empresas de tecnologia do mundo – Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet – assumiram compromissos financeiros da ordem de US$ 1,09 trilhão (cerca de R$ 5,6 trilhões) para pagamentos futuros, majoritariamente destinados ao aluguel de data centers que serão utilizados para expandir a infraestrutura de inteligência artificial (IA). A informação foi divulgada pela agência Reuters, com base em documentos corporativos.

Contratos ainda não contabilizados como dívida

De acordo com a Reuters, esses contratos ainda não entraram em vigor, pois as instalações físicas não estão prontas para uso. Por isso, não aparecem como dívidas nos balanços financeiros das companhias. A contabilização como obrigação ocorre somente quando o imóvel ou a instalação se torna disponível, seguindo as regras contábeis vigentes.

Enquanto isso, as empresas apenas divulgam os pagamentos futuros em notas explicativas que acompanham as demonstrações financeiras. Esse montante é quase quatro vezes superior aos US$ 285 bilhões (R$ 1,46 trilhão) já registrados como obrigações de aluguel nos balanços, segundo levantamento da Reuters.

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Risco de contratos caros se a demanda por IA desacelerar

Se a demanda por inteligência artificial continuar crescendo, esses data centers serão essenciais para ampliar a oferta de serviços de computação em nuvem, armazenamento de dados e execução de aplicações de IA. No entanto, se o crescimento desacelerar, as empresas podem ficar presas a contratos de longo prazo e alto custo, mantendo estruturas que talvez não sejam totalmente utilizadas.

O volume de compromissos chama atenção por revelar a magnitude da expansão da infraestrutura para IA que ainda não aparece nas principais métricas financeiras. Especialistas alertam que, embora não sejam dívidas imediatas, esses valores representam riscos futuros significativos.

Oracle: maior concentração de risco

Entre as empresas analisadas, a Oracle apresenta a maior concentração de compromissos futuros. A companhia informou US$ 260 bilhões (R$ 1,34 trilhão) em contratos que ainda não começaram a valer, quase sete vezes mais do que os US$ 37,9 bilhões (R$ 194,8 bilhões) já registrados em seu balanço. A maior parte desses contratos está ligada a data centers que devem entrar em operação entre os anos fiscais de 2027 e 2029, com duração de 15 a 19 anos.

A própria Oracle alertou para o risco de que os prazos, preços e condições desses contratos possam não coincidir com os acordos firmados com seus clientes. Se parte dos clientes deixar de renovar os serviços ou não cumprir os pagamentos, a empresa poderá continuar arcando com os custos dos data centers.

Endividamento da Oracle em análise

Segundo cálculos da Reuters, a dívida da Oracle equivalia a cerca de 4,4 vezes o Ebitda – indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional – no fim de maio. Quando considerados também os contratos de aluguel já registrados no balanço, esse índice sobe para aproximadamente 5,7 vezes.

A agência de classificação de risco S&P Global Ratings afirmou que já incluiu os US$ 260 bilhões em contratos futuros da Oracle em sua análise da dívida da empresa e espera que esse indicador fique em torno de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.

Compromissos por empresa

  • Microsoft: US$ 329 bilhões (R$ 1,69 trilhão) em contratos futuros, contra US$ 88,5 bilhões já registrados.
  • Meta: US$ 279 bilhões (R$ 1,43 trilhão) em contratos ainda não iniciados, além de US$ 68 bilhões assinados em julho para novos data centers.
  • Alphabet: US$ 85,2 bilhões (R$ 437,9 bilhões) em contratos futuros.
  • Amazon: US$ 137,2 bilhões (R$ 705,2 bilhões), incluindo não apenas data centers, mas também aluguel de armazéns, escritórios, aeronaves e veículos.

Com os novos acordos da Meta, o total conhecido de compromissos das cinco empresas chega a cerca de US$ 1,16 trilhão (R$ 5,96 trilhões).

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Impacto no setor e perspectivas

Esses números evidenciam a corrida das big techs para dominar a infraestrutura de IA, um dos setores mais promissores da próxima década. No entanto, a magnitude dos compromissos também acende um alerta sobre a sustentabilidade financeira desses investimentos em caso de desaceleração do mercado.

Analistas acompanham de perto a evolução desses contratos, pois eles podem influenciar a classificação de crédito das empresas e sua capacidade de investimento em outras áreas. A transparência nas notas explicativas é considerada positiva, mas o risco de concentração em ativos específicos preocupa investidores.