Indústria tem pior junho desde 2014
Indústria tem pior junho desde 2014

A produção industrial brasileira registrou em junho a maior queda para o mês desde 2014, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo de 2,1% na comparação com maio interrompe uma sequência de dois meses de alta e acende um alerta sobre o ritmo da recuperação econômica.

Queda generalizada entre as categorias

Das quatro grandes categorias econômicas pesquisadas, três apresentaram queda em junho. O setor de bens de capital, que engloba máquinas e equipamentos, foi o mais afetado, com recuo de 5,8%. A produção de bens intermediários caiu 1,7%, enquanto a de bens de consumo semi e não duráveis recuou 0,8%. A única exceção foi a de bens de consumo duráveis, que avançou 1,9%.

Na comparação com junho do ano passado, a produção industrial também apresentou variação negativa de 1,4%. No acumulado do primeiro semestre, o setor acumula alta de 2,3%, mas o resultado recente indica perda de fôlego.

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Impacto setorial e regional

Entre os ramos pesquisados, 16 das 26 atividades registraram queda na produção em junho. As principais influências negativas vieram de setores como veículos automotores (-7,2%), produtos alimentícios (-3,1%) e máquinas e equipamentos (-4,5%). Por outro lado, indústrias extrativas (2,8%) e de coque, petróleo e biocombustíveis (2,1%) puxaram o resultado positivo.

Regionalmente, a produção caiu em 10 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE. O Amazonas liderou as quedas, com recuo de 5,2%, seguido por Paraná (-3,8%) e Rio de Janeiro (-3,5%). Em São Paulo, maior parque industrial do país, a produção recuou 1,4%.

Análise e perspectivas

Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, o resultado de junho reflete a dissipação de fatores que haviam impulsionado a produção nos meses anteriores. "A queda foi generalizada e interrompeu o ritmo de crescimento observado em abril e maio", explicou. Ele também destacou que a base de comparação elevada, após dois meses de alta, contribuiu para o resultado.

Economistas consultados pelo Valor apontam que a desaceleração da indústria pode estar relacionada à alta dos juros e à incerteza fiscal. "O cenário de juros elevados tende a inibir investimentos, o que explica a forte queda em bens de capital", afirmou um analista. A expectativa é de que o setor continue enfrentando desafios no segundo semestre.

Reações do mercado

O mercado financeiro reagiu ao dado com ajustes nas projeções de crescimento. A queda na produção industrial reforça a visão de que o PIB do segundo trimestre pode vir abaixo do esperado. Instituições como o Banco Fator revisaram suas estimativas para o crescimento da indústria em 2026, de 2,5% para 2,2%.

O governo, por sua vez, minimizou o resultado, destacando que o acumulado do ano ainda é positivo. Em nota, o Ministério da Economia afirmou que "a indústria segue em trajetória de recuperação gradual, com altas em meses alternados".

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