O ex-governador do Paraná Álvaro Dias anunciou, nesta segunda-feira, que não disputará uma vaga ao Senado nas eleições de 2026. A decisão, publicada em nota nas redes sociais, embaralha o tabuleiro sucessório do estado, que atualmente é comandado por Ratinho Junior. Dias, que liderava as pesquisas de intenção de voto para o Senado, afirmou que não encontrou um cenário favorável para seguir na disputa dentro do grupo político que governa o Paraná.
Decisão surpreende e repercute na política paranaense
A desistência de Álvaro Dias, um dos nomes mais experientes da política local, foi recebida com surpresa por aliados e adversários. Ele é ex-governador por dois mandatos e já foi senador, além de ter sido prefeito de Curitiba. Nas últimas pesquisas, aparecia à frente na corrida pelo Senado, com cerca de 30% das intenções de voto, segundo levantamento divulgado em setembro. A nota, contudo, não detalha os motivos, mas indica uma leitura pragmática do cenário político.
Em sua mensagem, Dias destacou que a decisão foi tomada após avaliar o atual momento do grupo político liderado por Ratinho Junior. "Não vislumbro, neste momento, condições de contribuir com o projeto em curso no estado", afirmou o ex-governador na nota. Ele também agradeceu o apoio recebido e reforçou seu compromisso com os rumos do Paraná, mas sem citar nomes ou possíveis alianças futuras.
Impacto na sucessão de Ratinho Jr
A saída de Dias abre espaço para novas articulações na chapa governista. Ratinho Junior, que está no segundo mandato, não poderá concorrer à reeleição em 2026. O cenário mais provável, até então, era a formação de uma chapa com um candidato ao governo e outro ao Senado, ambos apoiados pelo atual governador. Com a desistência de Dias, o grupo precisa buscar um novo nome para a vaga ao Senado, ou mesmo reavaliar a composição da chapa.
Entre os nomes cotados para o Senado, aparecem o vice-governador Darci Piana, o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, e o deputado federal Fernando Giacobo. Contudo, nenhum deles tem a mesma capilaridade eleitoral de Álvaro Dias, o que pode enfraquecer a estratégia do grupo. Por outro lado, a decisão também pode abrir espaço para uma candidatura avulsa de Dias, caso ele decida apoiar outro projeto político.
Reações e próximos passos
Lideranças políticas do estado reagiram à notícia. O presidente estadual do PSD, que abriga Ratinho Junior, evitou comentar diretamente, mas afirmou que "o grupo segue unido em torno de um projeto de desenvolvimento para o Paraná". Já a oposição, liderada pelo PT e pelo PSDB, viu na desistência um sinal de fragilidade do atual governo. O deputado federal Zeca Dirceu (PT) disse que "a saída de Álvaro Dias mostra que o palácio está em crise e que a população quer renovação".
Especialistas em política local avaliam que a decisão de Dias pode ser estratégica. Ele pode estar se preservando para uma eventual candidatura ao governo em 2026, caso o cenário se torne mais favorável. "Álvaro Dias é um político experiente e sabe que disputar o Senado em uma chapa dividida poderia desgastá-lo. Ele pode estar aguardando um movimento mais claro do grupo de Ratinho", analisa o cientista político Emerson Cervi, da UFPR.
Histórico e legado
Álvaro Dias construiu uma longa carreira política. Foi senador por dois mandatos, governador do estado por duas vezes, e prefeito de Curitiba. Em 2018, ele foi eleito senador, mas renunciou ao cargo para assumir o governo em 2019, após a eleição. Sua gestão foi marcada por obras de infraestrutura e por uma política de austeridade fiscal. Nas redes sociais, a nota de desistência recebeu milhares de comentários, muitos de apoio e outros de cobrança por explicações mais detalhadas.
O cenário político do Paraná, que já era complexo, agora fica ainda mais incerto. As convenções partidárias estão marcadas para julho do próximo ano, e os pré-candidatos têm até abril para definir suas situações. A decisão de Álvaro Dias, portanto, pode ser revista, mas, por ora, ele está fora da disputa. O grupo de Ratinho Junior, por sua vez, precisa agir rápido para encontrar um nome competitivo e evitar que a oposição ganhe força.



