O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã tem apenas mais uma oportunidade para negociar a paz, antes do que ele chamou de “decapitação”. A declaração ocorreu em meio a uma escalada de tensões na região do Golfo Pérsico, onde a Marinha americana impõe um bloqueio naval. Em menos de 24 horas, Trump anunciou por três vezes que o Irã estaria buscando um acordo, mas Teerã desmentiu categoricamente qualquer negociação em curso.
Desmentido iraniano e a mediação de Omã
No domingo (2) à noite, Trump chegou a afirmar que as conversas começariam na segunda-feira (3). Contudo, na manhã seguinte, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou não apenas a data, mas a existência de qualquer negociação com os americanos. Segundo Baghaei, as únicas tratativas em andamento são com Omã, visando garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo mundial.
“Enquanto o bloqueio naval e a agressão militar dos Estados Unidos persistirem, não haverá nenhuma mudança em relação à situação no estreito”, afirmou o porta-voz iraniano, em declaração reproduzida pela imprensa internacional.
Reação indignada de Trump nas redes sociais
Trump reagiu com indignação às negativas iranianas. Em publicação nas redes sociais, escreveu: “A liderança iraniana é incrivelmente hipócrita! Eles pedem uma reunião - alguns diriam que ‘imploram’ por ela -, as conversas começam, com outras já agendadas, e eles declaram que não há conversa alguma. A região já está sob controle completo da Marinha dos Estados Unidos e do nosso ‘bloqueio’. Nada entra no Irã, a menos que a gente queira, e nada vai entrar, a menos que se chegue a um acordo ou à rendição total. O Irã nunca terá uma arma nuclear”.
No meio da tarde, Trump voltou a insistir que a negociação entre os dois países está acontecendo e que o Estreito de Ormuz pode ser reaberto já na terça-feira (4). O presidente americano também emitiu um ultimato ao regime iraniano, afirmando que esta é a última chance que dará antes da “decapitação”.
Contexto de ameaças e ataques suspensos
No fim de semana, Trump disse ter suspendido um ataque ao Irã porque havia sinais de um acordo. Essa não é a primeira vez que o presidente dá um ultimato ao Irã ou anuncia um avanço diplomático que não se confirma. Enquanto a Casa Branca insiste que a diplomacia está funcionando, o Irã mantém a pressão sobre a principal rota de exportação de petróleo do mundo, o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
A situação permanece volátil, com os Estados Unidos mantendo forte presença militar na região e o Irã resistindo às pressões, enquanto a comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos de uma crise que pode impactar o fornecimento de energia e a estabilidade no Oriente Médio.



