A desistência do senador Cleitinho (Republicanos) de concorrer ao governo de Minas Gerais, anunciada nesta terça-feira (4), retirou da disputa o nome que liderava as pesquisas de intenção de voto e reconfigurou completamente o cenário eleitoral no estado. Sem um favorito claro, a sucessão mineira entra em uma fase de fragmentação e negociações de última hora entre os partidos, aumentando a imprevisibilidade da corrida.
Impacto direto na eleição presidencial
A decisão também gera reflexos na eleição nacional. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e era tratado pelo PL como um dos estados estratégicos para impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Cleitinho era considerado o nome com maior potencial para transferir votos ao senador no estado, e sua ausência agora obriga a legenda a reorganizar sua estratégia.
A saída ocorre poucos dias depois de um embate público com a direção nacional do Republicanos. Cleitinho havia anunciado que não concorreria por motivos pessoais, em razão da morte do irmão, mas voltou atrás e, durante a convenção nacional da legenda, fez um apelo emocionado para disputar o governo mineiro.
Apelo rejeitado pela cúpula do partido
“Pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todos os caminhoneiros, por toda a enfermagem que existe, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente me dê essa vaga”, declarou o senador.
O pedido, contudo, foi rejeitado pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. O dirigente afirmou que a convenção não tinha competência para deliberar sobre candidaturas estaduais e lembrou que o partido já havia dado oportunidades para que Cleitinho confirmasse sua candidatura durante a convenção mineira realizada em julho.
Corrida perde líder e fica mais pulverizada
A ausência de Cleitinho elimina da disputa o candidato que aparecia à frente na última pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 28 de julho. No principal cenário do levantamento, ele liderava com folga, à frente de Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e Mateus Simões (PSD). Sem o senador, o eleitorado passa a ser disputado por candidatos que, até então, apareciam separados por poucos pontos percentuais, aumentando a imprevisibilidade da corrida.
A retirada de Cleitinho tende a produzir uma redistribuição heterogênea de votos. O senador reunia um eleitorado de perfil bastante personalista, construído mais em torno de sua imagem do que da estrutura partidária, o que reduz a possibilidade de uma transferência automática para outro candidato.
Palanque presidencial fica indefinido
A saída também cria um problema para a estratégia nacional do PL. Cleitinho era o principal aliado de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. Agora, a legenda trabalha para reorganizar seu palanque no estado. O nome mais citado é o do ex-deputado Marcelo Aro (PP), que rompeu recentemente com o grupo político de Romeu Zema e passou a ser cogitado para disputar o governo.
A candidatura de Aro, contudo, segue indefinida. A convenção conjunta de PP e União Brasil terminou sem anunciar um nome para o governo mineiro, mantendo a incerteza.
Minas costuma ter peso decisivo em eleições presidenciais justamente porque dificilmente reproduz uma polarização rígida. Um palanque competitivo no estado amplia a capacidade de mobilização regional e ajuda a nacionalizar a campanha.
Quem segue na disputa
Até o momento, oito candidaturas foram oficializadas para o governo mineiro:
- Mateus Simões (PSD) — atual governador, assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema;
- Alexandre Kalil (PDT) — ex-prefeito de Belo Horizonte e segundo colocado na eleição de 2022;
- Patrus Ananias (PT) — deputado federal e ex-ministro dos governos Lula;
- Gabriel Azevedo (MDB) — ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte;
- Ben Mendes (Missão) — influenciador digital e advogado;
- Indira Xavier (UP) — militante dos movimentos sociais;
- Rafael Duda (PSTU) — sindicalista do setor da mineração;
- Túlio Lopes (PCB) — professor da UEMG.
Com a retirada de Cleitinho, a tendência é que a campanha mineira entre em uma fase de maior competitividade. Além de embaralhar a disputa estadual, a decisão aumenta a importância das alianças e do desempenho dos candidatos nas primeiras semanas da campanha oficial, quando o eleitorado começará a reorganizar suas preferências sem o nome que liderava os levantamentos.



