Múcio: Brasil deve 'abrir portões' em invasão dos EUA
Múcio: Brasil deve 'abrir portões' em invasão dos EUA

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (4) que, em uma eventual invasão dos Estados Unidos ao Brasil, a estratégia mais sensata seria “abrir os portões”. Segundo ele, o País não teria capacidade de se defender e tampouco recursos para reparar os danos causados.

“Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo, nem tem dinheiro para consertar o portão”, afirmou durante fala de abertura de evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do setor marítimo.

Defesa Nacional e Orçamento

A declaração foi feita ao defender maior previsibilidade no orçamento das Forças Armadas. Segundo Múcio, o Brasil destina cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Defesa, porcentual inferior ao observado em outros países, o que dificulta investimentos de longo prazo em equipamentos e tecnologia.

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“Investir em defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”, afirmou. O ministro ressaltou que o objetivo não é preparar o País para conflitos, mas garantir capacidade de dissuasão e desenvolvimento tecnológico.

Contexto e Repercussão

A fala de Múcio ocorre em meio a discussões sobre o fortalecimento da indústria de defesa nacional e a necessidade de modernização das Forças Armadas. O ministro destacou que o Brasil precisa de investimentos contínuos para manter sua soberania e capacidade de resposta.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a declaração reflete a realidade do orçamento militar brasileiro, que historicamente fica abaixo da média global. Em 2023, o gasto com defesa no Brasil foi de aproximadamente 1,1% do PIB, enquanto a média da OTAN é de 2% e a dos Estados Unidos, cerca de 3,5%.

Investimento em Defesa e Soberania

Múcio também defendeu que o aumento do orçamento militar não deve ser visto como uma ameaça, mas como um investimento em autonomia tecnológica e capacidade de dissuasão. “Precisamos de previsibilidade para planejar a aquisição de equipamentos e o desenvolvimento de projetos estratégicos, como o programa de submarinos e a modernização da aviação militar”, explicou.

O ministro enfatizou que a defesa nacional é essencial para proteger os interesses do País, incluindo a Amazônia e as riquezas minerais, como as terras raras, que têm despertado interesse internacional.

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