PL oficializa chapa puro-sangue no Rio com Jordy e vice de Ruas
PL terá chapa puro-sangue no Rio com Jordy e vice de Ruas

O Partido Liberal (PL) confirmou que terá chapa puro-sangue no Rio de Janeiro nas eleições de outubro. O deputado federal Carlos Jordy disputará uma vaga ao Senado, enquanto o pré-candidato ao governo, Douglas Ruas, terá como vice uma vereadora de Niterói, ainda não oficialmente anunciada. A decisão foi tomada após a federação União-PP declarar neutralidade no estado, o que esvazia o palanque do senador Flávio Bolsonaro e favorece a reeleição do prefeito Eduardo Paes (PSD).

Definição da chapa e contexto político

De acordo com fontes internas do PL, a chapa será composta integralmente por filiados ao partido, sem alianças com outras siglas. Jordy, que é um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado, deve encabeçar a disputa ao Senado, enquanto Ruas, que já foi deputado estadual, lidera a corrida pelo Palácio Guanabara. A escolha da vice, uma vereadora de Niterói, atende a critérios de equilíbrio regional e de gênero, mas o nome ainda não foi divulgado oficialmente.

A neutralidade da federação União-PP, que reúne o União Brasil e o Progressistas, foi anunciada na última semana, após intensas negociações. Com isso, o PL fica isolado na disputa majoritária, sem o apoio de partidos que tradicionalmente compõem a base bolsonarista. O cenário, segundo analistas, reduz o alcance da campanha de Flávio Bolsonaro, que buscava ampliar a influência do clã no estado.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na corrida eleitoral e reação dos envolvidos

Para o cientista político Maurício Romão, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a decisão do União-PP é um duro golpe para o PL. "Sem o apoio da federação, o partido perde capilaridade e estrutura em diversas regiões. Isso tende a beneficiar diretamente Eduardo Paes, que já lidera as pesquisas de intenção de voto", afirma. Pesquisa recente do instituto DataRio, divulgada em março, aponta Paes com 54% das intenções de voto, contra 28% de Ruas e 12% de outros candidatos.

Carlos Jordy, em entrevista à rádio CBN, minimizou o impacto: "Nossa campanha será feita com o pé no chão, conversando com o povo fluminense. Temos um projeto claro para o Rio, e a neutralidade de outros partidos não nos impede de apresentar nossas propostas." Já Douglas Ruas destacou a importância da chapa puro-sangue: "Isso mostra a força do nosso partido e a confiança nos nossos quadros. Vamos lutar por um Rio melhor, com segurança e desenvolvimento."

Estratégia do PL e reações da oposição

O PL aposta na rejeição ao atual governo estadual, comandado por Cláudio Castro (PL), que enfrenta denúncias de corrupção, para conquistar o eleitorado. A chapa puro-sangue também busca atrair o eleitor mais fiel ao bolsonarismo, que vê em Jordy e Ruas nomes alinhados às pautas conservadoras. No entanto, a falta de alianças pode limitar o tempo de televisão e o acesso a recursos, fatores decisivos em eleições majoritárias.

Eduardo Paes, em evento no Rio, comentou a movimentação: "Respeito todas as candidaturas. O que importa é apresentar propostas concretas para a população. Estamos confiantes na nossa gestão e na nossa capacidade de dialogar com todos os setores." O prefeito, que busca a reeleição, tem ampliado sua base com partidos como MDB, PDT e PSDB, o que o coloca em posição privilegiada.

Próximos passos e expectativas

A oficialização da chapa deve ocorrer até julho, durante a convenção estadual do PL. Até lá, o partido deve definir o nome da vice e consolidar o plano de governo. Jordy e Ruas devem intensificar as agendas no interior do estado, onde o partido tem forte presença em municípios como Campos dos Goytacazes e Petrópolis. A expectativa é que a disputa seja polarizada entre o PL e o PSD de Paes, com a federação União-PP podendo apoiar um terceiro nome na reta final.

Com a neutralidade do União-PP, o cenário eleitoral no Rio fica mais claro, mas ainda há incertezas sobre o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha. Bolsonaro deve participar de eventos ao lado de Jordy e Ruas, mas sua influência pode ser limitada por questões judiciais. A eleição no Rio promete ser uma das mais disputadas do país, com impacto direto na composição do Senado e no equilíbrio de forças no Congresso Nacional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar