Previdência privada tem queda de 20% na captação no 1º semestre
Captação de previdência privada cai 20% no semestre

A captação líquida da previdência privada registrou queda de 20% no primeiro semestre de 2026, totalizando R$ 30,2 bilhões, conforme dados divulgados pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O resultado reflete um cenário de juros elevados e maior endividamento das famílias, que optaram por resgatar aplicações para honrar compromissos financeiros.

Resgates superam aportes e pressionam resultado

No período, os resgates somaram R$ 45,6 bilhões, enquanto as contribuições alcançaram R$ 75,8 bilhões. Apesar do volume expressivo de aportes, o saldo líquido ficou negativo em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a captação havia sido de R$ 37,7 bilhões. A diferença de R$ 7,5 bilhões evidencia a retração no ritmo de investimento dos brasileiros em planos de previdência complementar.

De acordo com a Fenaprevi, o movimento é influenciado pela necessidade de liquidez imediata por parte dos participantes, especialmente em um momento de aperto creditício. "As famílias estão priorizando o pagamento de dívidas e o consumo básico, o que impacta diretamente a capacidade de poupança de longo prazo", afirmou o presidente da entidade, Marcos Antônio de Lima.

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Planos PGBL e VGBL apresentam comportamentos distintos

Os planos tradicionais PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) tiveram desempenhos diferentes. O PGBL, que permite dedução do Imposto de Renda, captou R$ 18,4 bilhões, uma queda de 15% em relação ao primeiro semestre de 2025. Já o VGBL, mais flexível, registrou captação de R$ 11,8 bilhões, recuo de 27% na comparação anual.

A migração entre planos também contribuiu para o resultado. Muitos participantes realizaram portabilidades, transferindo recursos de um plano para outro, o que não altera o patrimônio total, mas gera oscilações nas estatísticas de captação. No semestre, as portabilidades somaram R$ 9,3 bilhões, um aumento de 12% frente ao mesmo período do ano passado.

Impacto dos juros altos na decisão de investimento

O cenário de taxa Selic elevada, atualmente em 12,75% ao ano, torna outros investimentos de renda fixa, como títulos públicos e CDBs, mais atrativos no curto prazo. Isso desestimula a alocação em previdência privada, que possui tributação específica e prazos de carência. Segundo analistas, a rentabilidade dos fundos de previdência, que muitas vezes não acompanha o CDI integralmente, também pesa na decisão dos investidores.

"Com a Selic em dois dígitos, o investidor busca alternativas com maior liquidez e menor burocracia. A previdência privada perde competitividade, a menos que ofereça benefícios fiscais significativos", explica a economista Carla Ribeiro, da consultoria InvestPrev. Ela ressalta que, para perfis de longo prazo, a previdência ainda é vantajosa, mas exige planejamento.

Perspectivas para o segundo semestre

A Fenaprevi projeta que a captação líquida deve continuar sob pressão no segundo semestre, mas com possível recuperação gradual caso haja redução da taxa de juros e melhora no cenário econômico. A entidade estima que o total captado no ano fique entre R$ 55 bilhões e R$ 65 bilhões, abaixo dos R$ 78 bilhões registrados em 2025.

Além disso, a reforma tributária em discussão no Congresso pode alterar as regras de tributação dos planos de previdência, gerando incertezas. O setor acompanha com atenção as propostas que visam unificar impostos, o que poderia impactar a dedutibilidade das contribuições ao PGBL. "Qualquer mudança na legislação deve ser avaliada com cautela para não desestimular a poupança de longo prazo", alerta Lima.

Recomendações para investidores

Especialistas recomendam que os investidores avaliem seus objetivos antes de resgatar recursos da previdência privada, considerando as penalidades por resgate antecipado e a perda do benefício fiscal. Para quem está começando, a orientação é diversificar os investimentos e não concentrar toda a poupança em um único produto.

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"O momento é de revisão de carteira. Se o participante não tem emergências financeiras imediatas, manter os aportes na previdência pode ser mais vantajoso no longo prazo, especialmente com a possibilidade de dedução no Imposto de Renda", conclui Carla Ribeiro. A Fenaprevi disponibiliza em seu site uma calculadora para simular cenários de captação e resgate.