O CEO da fintech Revolut, Nikolay Storonsky, está sendo processado na Justiça de São Paulo por um suposto calote na compra de um iate de R$ 2 bilhões. A embarcação, que já pertenceu ao empresário Abilio Diniz, teria sido adquirida por Storonsky em 2021, mas o pagamento não teria sido concluído.
Origem do processo
A ação foi movida pela empresa responsável pela venda do iate, a Oceanco, fabricante holandesa de superiates. De acordo com a petição inicial, Storonsky assinou um contrato de compra e venda em dezembro de 2021, comprometendo-se a pagar o valor total em parcelas. No entanto, após o pagamento inicial, o restante não foi quitado, gerando um débito de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
O iate, batizado de 'Axioma', tem 72 metros de comprimento e foi entregue a Storonsky em 2022. A embarcação é equipada com heliponto, piscina e acomodações para 12 hóspedes, além de uma tripulação de 20 pessoas.
Defesa de Storonsky
Em nota, a defesa de Storonsky afirmou que ele é "um empresário sério e cumpridor de suas obrigações" e que o processo é "uma tentativa de obter vantagem indevida". A defesa alega que o contrato foi rescindido por mútuo acordo e que Storonsky já teria pago o valor integral, o que é contestado pela Oceanco.
O caso corre em segredo de justiça na 2ª Vara Empresarial de São Paulo. Especialistas ouvidos pelo Valor apontam que a disputa pode levar anos para ser resolvida, dado o valor envolvido e a complexidade das transações internacionais.
Impacto para a Revolut
O processo não afeta as operações da Revolut no Brasil, que segue funcionando normalmente. A fintech, que tem mais de 40 milhões de clientes globalmente, obteve autorização do Banco Central para operar como instituição de pagamento no país em 2023.
Storonsky, que fundou a Revolut em 2015, é um dos bilionários mais jovens do Reino Unido, com patrimônio estimado em US$ 7 bilhões. Apesar do processo, ele continua no comando da empresa, que recentemente alcançou valuation de US$ 45 bilhões.
Histórico do iate
O iate Axioma foi originalmente encomendado por Abilio Diniz, que o vendeu antes da entrega. Diniz, que morreu em fevereiro de 2024, era conhecido por seu amor por iates e havia encomendado a embarcação à Oceanco em 2019.
Segundo fontes, o valor de R$ 2 bilhões é o preço de tabela do iate, mas o negócio teria sido fechado por um valor menor, ainda não revelado. A Oceanco, que já entregou iates para bilionários como Jeff Bezos e Roman Abramovich, não comenta casos em andamento.
Próximos passos
A audiência de conciliação está marcada para dezembro. Caso não haja acordo, o caso seguirá para instrução processual, com produção de provas e depoimentos de testemunhas. A expectativa é que o desfecho dependa de perícias contábeis e análise de contratos assinados em jurisdições diferentes.



