Reforma política: a mãe de todas as reformas continua esquecida
Reforma política: a mãe de todas as reformas esquecida

O editorial do Estadão de 1º de agosto, intitulado “A cada vez mais difícil renovação política”, defende a necessidade de “rever profundamente o modelo das emendas parlamentares”. No entanto, para o leitor Israel Aron Zylberman, de Carapicuíba, essa abordagem ataca o efeito, mas ignora a causa. Segundo ele, a degradação moral do Parlamento, nos três níveis da Federação, decorre, em grande medida, do sistema eleitoral brasileiro.

Sistema proporcional enfraquece representatividade

Zylberman argumenta que o voto proporcional contribui para a formação de um Congresso distante de seus eleitores, enfraquecendo a representatividade e a responsabilidade política dos parlamentares. Ele lembra que Fernando Henrique Cardoso costumava afirmar que a reforma política era “a mãe de todas as reformas”, mas quando reuniu amplo capital político, não conseguiu promovê-la. A mudança institucional mais relevante de seu governo acabou sendo a reeleição para os cargos do Executivo.

O leitor sugere que FHC poderia ter liderado uma reforma abrangente, com a adoção do voto distrital ou distrital misto, a redução do número de senadores para dois por Estado e a extinção dos suplentes, mecanismo que frequentemente leva ao Congresso pessoas que jamais receberam um voto. “Outras mudanças também seriam necessárias, mas o essencial é reconhecer que, sem enfrentar as causas estruturais da crise de representatividade, continuaremos apenas tratando seus sintomas”, escreve.

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Debate eleitoral e participação obrigatória

Em outra carta, Sergio Kocinas, de Netanya (Israel), propõe uma lei que obrigue os quatro primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto a participar dos debates das duas ou três maiores redes de televisão, com a opção de não incluir os candidatos com desempenhos piores.

Energia: conta dos jabutis

Arnaldo Mandel, de São Paulo, sintetiza a reportagem sobre a conta de luz mais cara que 77 países e a coluna de Elena Landau sobre os “jabutis” no setor elétrico: “Brasil tem energia limpa e legislação suja”. Ele questiona quem ganha com isso, respondendo: “Nós, não”.

Educação: professor Whitehead

Percival Maricato, de São Paulo, elogia o artigo de Claudio de Moura Castro sobre Alfred North Whitehead, fazendo duas observações: primeiro, que as teorias de Whitehead coincidem em boa parte com as de Paulo Freire, ao partir do universo concreto do aprendiz; segundo, que a escola cívico-militar é contraditada pela ideia de que “sem liberdade, a mente não forma ideias nem tem criatividade”.

Redes sociais: desafios da modernidade

José Luis Ribeiro Brazuna, de São Paulo, parabeniza Carlos Alberto Di Franco pelo artigo “A tirania do aplauso e a conquista da serenidade”, destacando a análise serena e profunda sobre os desafios espirituais do mundo moderno e o papel da fé como porto seguro.

Cinema: homenagem a Ignácio de Loyola Brandão

Adilson Roberto Gonçalves, de Campinas, comenta a homenagem ao escritor de 90 anos, ressaltando sua lucidez e a importância do resgate de sua vida e obra. Ele observa que o documentário dirigido pelo filho pode ter viés afetivo, mas é uma “homenagem mais do que devida”.

Futebol e politicagem

Oswaldo Jesus Motta, do Rio de Janeiro, compara a política ao futebol: “Muda-se o uniforme, o slogan e o discurso; o sistema permanece confortavelmente intacto”. Ele critica os Três Poderes por protegerem estruturas e acomodarem interesses, enquanto o cidadão financia a conta com impostos sufocantes e juros elevados. “O Brasil nunca padeceu de falta de recursos. O verdadeiro déficit sempre foi de prioridades, responsabilidade e compromisso com o interesse público”, conclui.

Princípios e valores em crise

José Ricardo Bittencourt Noronha, de Santana de Parnaíba, lamenta que o país idolatre figuras como Neymar, Lula e Bolsonaro, envolvidos em escândalos. “Em um país em que idolatramos o que temos de pior, o máximo que se pode esperar é que continuemos à mercê dessas mesmas figuras”, afirma.

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Brasil sem futuro?

Jane Araújo, de Brasília, relembra a luta contra a ditadura militar e critica a “ditadura dos espertos, dos insaciáveis e dos infames”, que querem milhões e trilhões do dinheiro público. Ela observa a ausência de movimentos jovens nas ruas contra isso, concluindo: “O País está indo para o buraco”.

Promessas e realidade

Luciana Lins, de Campinas, alerta para promessas de campanha que ignoram a legislação e pedidos antecipados de votos tratados como irregularidades de baixo custo. Ela defende que o eleitor faça perguntas e confronte discursos com a realidade, pois “a cidadania enfraquece quando confrontar promessas deixa de ser um hábito”.

Mulheres na política

Alberto Utida, de São Paulo, critica as convenções partidárias por não entenderem o que as mulheres querem: “A mulher quer estar na política, agindo, decidindo e direcionando, e não apenas ao lado de políticos”.

Grandes políticos

Paulo Sergio Arisi, de Porto Alegre, recorda que “houve um tempo em que os melhores homens e mulheres da nação militavam na política” e pede que os partidos atraiam as melhores mentes para a vida pública.

Falta de indignação

Izabel Avallone, de São Paulo, concorda com Fernando Schüler sobre as distorções na democracia brasileira, mas destaca a falta de indignação da sociedade. “Sem pressão da sociedade, as reformas permanecem engavetadas e os privilégios se perpetuam”, escreve. Albino Bonomi, de Ribeirão Preto, apoia integralmente o artigo “A maldição de Pelé”.

Fundo eleitoral e IA

Abel Pires Rodrigues, do Rio de Janeiro, critica o uso de inteligência artificial nas eleições e o fundo eleitoral de quase R$ 5 bilhões para 30 partidos, considerando-o injustificável diante da nova tecnologia.

Descontrole fiscal

Deri Lemos Maia, de Araçatuba, aponta que a dívida pública brasileira chega a R$ 10,8 trilhões, ultrapassando 81% do PIB. Ele questiona por que o presidente continua em primeiro lugar nas pesquisas, apesar do descontrole fiscal.

Milei e Lula

Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva, de Salvador, comenta as acusações de Javier Milei contra Lula, sugerindo que o brasileiro deveria ter provado sua inocência em vez de sair da prisão “pela porta dos fundos do STF”.

Crimes no trânsito e impunidade

Célio Borba, de Curitiba, pede punição rígida para crimes de trânsito, enquanto Luiz Frid, de São Paulo, questiona a impunidade de motoristas embriagados que atropelam e matam.

Compreender para aprender

Gabriele Di Giulio, de São Roque, reflete sobre o artigo de Claudio de Moura Castro sobre Whitehead, destacando que “conhecimento sem compreensão transforma-se em ideia inerte”. Ele defende que a escola forme pessoas capazes de compreender, questionar e decidir com autonomia.

Ganância

Lincool Waldemar, de São Paulo, elogia o texto de Leandro Karnal “O sapo inchado”, citando o conselho de Sólon: “Nenhum homem pode se considerar feliz enquanto respirar”.