O partido Podemos anunciou nesta segunda-feira (4) que manterá neutralidade nas eleições de 2026, recusando formalmente o apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscava uma aliança para sua candidatura à reeleição. A decisão representa um novo revés para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já enfrenta dificuldades para consolidar apoios em seu estado.
Decisão oficial e justificativa
Em nota oficial, a executiva nacional do Podemos afirmou que a legenda não irá se posicionar em nenhum dos polos da disputa, priorizando a independência partidária. “O Podemos entende que, neste momento, o melhor para o Brasil é manter uma postura de neutralidade, permitindo que nossos filiados decidam seus votos com liberdade”, diz o comunicado, assinado pela presidente nacional do partido, Renata Abreu.
A decisão foi tomada após reunião da cúpula partidária realizada no último fim de semana, em Brasília. Segundo fontes internas, a pressão de setores do partido que defendem uma aproximação com o governo Lula pesou para o afastamento de qualquer aliança com o bolsonarismo.
Impacto na campanha de Flávio
Flávio Bolsonaro, que tenta a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro, vinha cortejando o Podemos desde o início do ano. Ele chegou a se encontrar com lideranças da legenda em maio, quando discutiu possíveis acordos. A negativa agora reduz suas opções de palanque e pode fragilizar sua posição diante de adversários como o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e a deputada federal Talíria Petrone (PSOL).
Pesquisa recente do instituto Datafolha, divulgada em julho, mostrou Flávio com 24% das intenções de voto, atrás de Paes, que lidera com 31%. A falta de apoio partidário pode impactar diretamente sua capacidade de arrecadação e tempo de rádio e TV.
Reações e próximos passos
Em resposta, a assessoria do senador afirmou que “respeita a decisão do Podemos” e que a campanha segue focada no eleitorado fluminense. “Não vamos mudar nossa estratégia por causa de um partido. Nosso compromisso é com as pautas conservadoras e com o povo do Rio”, declarou um porta-voz.
Especialistas apontam que a neutralidade do Podemos pode ser um indicativo do isolamento político do bolsonarismo no estado. “O partido busca se posicionar como uma terceira via, e apoiar Flávio seria um risco para sua imagem”, avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Contexto político
O Podemos, que já foi aliado do governo Bolsonaro, tem se distanciado do ex-presidente desde as eleições de 2022. A legenda lançou candidatura própria à Presidência com o senador Sergio Moro, que posteriormente se tornou oposição declarada ao governo Lula. A neutralidade agora sinaliza uma tentativa de se manter relevante no cenário nacional sem se comprometer com nenhum dos lados.
Para Flávio Bolsonaro, a decisão é mais um obstáculo em um cenário já complicado. Ele enfrenta investigações na Justiça relacionadas a supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, embora negue qualquer ilícito.
Com a proximidade do registro das candidaturas, marcado para agosto, o senador precisa correr atrás de novos apoios. A neutralidade do Podemos, portanto, pode ser decisiva para o desfecho da disputa no Rio de Janeiro.



