A Polícia Federal (PF) concluiu que o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, atuou como um dos principais articuladores do esquema investigado na Operação Sem Desconto. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores descrevem o parlamentar como peça central na condução de decisões estratégicas do grupo criminoso.
O documento serviu de base para a nova fase da operação, deflagrada nesta terça-feira (4), que cumpre 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos estão parentes de Weverton e o advogado Willer Tomaz. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Papel do senador no esquema
De acordo com a PF, Weverton era responsável por "formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais" ligadas ao esquema. A descrição indica uma atuação ampla, que ia desde a articulação política até o controle financeiro e patrimonial.
Embora o senador não seja alvo de mandado de busca nesta etapa, o relatório amplia a participação atribuída a ele nas investigações sobre fraudes que atingiram aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF afirma que o grupo atuava de forma organizada, utilizando associações para aplicar descontos indevidos nos benefícios.
Advogado Willer Tomaz é alvo central
O advogado Willer Tomaz é descrito pela PF como uma peça de sustentação da organização investigada. Segundo os investigadores, ele mantinha ligação com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos, desempenhando papel relevante na administração da estrutura patrimonial utilizada pelo grupo.
A PF identificou indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas de terceiros, empresas e operações em dinheiro vivo. Essas práticas teriam como objetivo ocultar a origem e o destino dos recursos, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela PF em abril de 2025 para investigar um esquema de descontos associativos aplicados sem autorização sobre aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. As investigações apontam que entidades cobravam mensalidades de beneficiários sem consentimento, utilizando associações que, em muitos casos, não prestavam os serviços prometidos.
Nas últimas semanas, a operação também deu origem a uma série de investigações paralelas autorizadas pelo STF. Os elementos reunidos pela PF resultaram na abertura de três inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para apurar suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e suposta atuação em favor de empresários junto a órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
Desdobramentos e próximos passos
Agora, o novo relatório da PF amplia o foco da investigação ao atribuir a Weverton Rocha um papel de coordenação política e patrimonial dentro do esquema investigado. As apurações seguem sob supervisão do STF e ainda estão na fase de coleta de provas. A expectativa é de que novos elementos possam surgir a partir da análise dos materiais apreendidos nesta terça-feira.
A defesa de Weverton Rocha ainda não se manifestou publicamente sobre o relatório. O senador, que é vice-líder do governo no Senado, pode enfrentar consequências políticas e jurídicas caso as suspeitas sejam confirmadas. A Operação Sem Desconto já resultou em prisões e afastamentos de servidores públicos em fases anteriores, mas os detalhes dessas medidas não foram divulgados pela PF.



