PF mira parentes de Weverton Rocha em esquema de lavagem de dinheiro
PF mira parentes de Weverton Rocha em esquema de lavagem

A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (4) a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Congresso, é apontado como um dos principais beneficiários do esquema, que teria desviado até R$ 6,3 bilhões. As investigações apontam que o advogado Willer Tomaz atuava como um verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico para os envolvidos.

Buscas em Brasília e no Maranhão

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Maranhão e em Brasília, onde os agentes passaram o dia em um escritório de Willer Tomaz. No local, foram encontrados dois cofres, uma máquina de contar dinheiro e maços de reais escondidos em livros-cofre. Ao todo, foram apreendidos R$ 345 mil em espécie e quatro aviões pertencentes a empresas do advogado.

A operação teve origem após a análise de um celular do senador Weverton Rocha, apreendido em dezembro do ano passado, quando ele já havia sido alvo de buscas. Segundo os investigadores, Weverton utilizava parentes para ocultar dinheiro e bens. A mulher dele, Samya Rocha, a filha Anna Catarina Rocha e duas irmãs, Geyse Rocha Linhares e Shainess Rocha Marques de Sousa, foram alvos de busca e apreensão nesta fase.

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Papel do senador no esquema

Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça, do STF, destacou que a autoridade policial situa Weverton Rocha como responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais. A estrutura ligada a Willer Tomaz, segundo Mendonça, funcionaria como um verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico à disposição dos beneficiários, incluindo o senador.

O advogado Willer Tomaz já havia sido preso em 2017, suspeito de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, que apurou fraudes em fundos de pensão. Agora, a PF investiga se ele atuava como operador financeiro do esquema, movimentando recursos desviados do INSS.

Movimentações milionárias

De acordo com a investigação, a conta pessoal da esposa do senador, Samya Rocha, era considerada alternativa para o recebimento de valores elevados. Em 2024, ela teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz. A PF também aponta que uma das estratégias para ocultar o dinheiro era a compra de imóveis. Uma casa, avaliada em R$ 6 milhões, foi registrada em abril de 2023 em nome de uma empresa ligada a Tomaz, mas seria de propriedade de Weverton Rocha.

No Maranhão, a polícia cumpriu mandado contra Fred Campos, prefeito de Paço do Lumiar (PSB). Segundo a PF, uma empresa ligada a ele transferiu R$ 5 milhões para uma das empresas investigadas.

Defesas e próximos passos

O senador Weverton Rocha afirmou que as movimentações financeiras citadas são fruto de atividades profissionais e empresariais declaradas à Receita Federal. Willer Tomaz disse que jamais teve envolvimento com os fatos apurados e que os repasses a Samya Rocha são pagamentos por serviços prestados como advogada no escritório dele. O prefeito Fred Campos afirmou que arrendou postos de combustível e, por isso, fez a transferência para a empresa da família do senador. O Jornal Nacional não obteve retorno das irmãs, da mulher e da filha de Weverton Rocha.

A Operação Sem Desconto é mais um capítulo na investigação de fraudes contra o INSS, que já resultou em diversas fases e prisões. A PF segue analisando os materiais apreendidos para identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados.

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