O ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2026, defendeu nesta quarta-feira a "robustez" do sistema de votação brasileiro, em meio à crescente pressão para que a Corte reaja a ataques contra as urnas eletrônicas. A declaração ocorre em um cenário de intenso debate sobre a confiabilidade do processo eleitoral, que já mobiliza especialistas, políticos e a sociedade civil.
Transparência como pilar da confiança
Durante evento oficial, Nunes Marques afirmou que a transparência é um dos pilares que sustentam a confiança da sociedade nas eleições. "A robustez do nosso sistema é fruto de décadas de aprimoramento técnico e de uma fiscalização que envolve todos os partidos, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público", destacou o ministro, que assumiu a presidência do TSE em um momento de alta tensão política.
O ministro também ressaltou que o tribunal está preparado para garantir a normalidade do pleito de 2026, que ocorrerá em outubro. "Não podemos permitir que desinformação e ataques infundados coloquem em dúvida a integridade de um sistema que é referência mundial", completou, sem citar nominalmente os críticos das urnas.
Pressão por reação do TSE
A fala de Nunes Marques surge em um contexto de pressão de setores políticos e da opinião pública para que o TSE adote uma postura mais incisiva contra discursos que questionam a segurança das urnas eletrônicas. Nos últimos meses, parlamentares e figuras públicas têm intensificado ataques ao sistema, o que levou a Corte a reforçar sua comunicação e a ampliar campanhas de esclarecimento.
Dados recentes do TSE indicam que, nas eleições de 2022, foram registrados mais de 400 mil boletins de urna emitidos, todos auditáveis. O tribunal também destaca que o sistema possui múltiplas camadas de segurança, incluindo assinatura digital e testes públicos de segurança, que ocorrem periodicamente com a participação de especialistas independentes.
Impacto na confiança da sociedade
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a postura do presidente do TSE é crucial para mitigar os efeitos da desinformação sobre o processo eleitoral. Pesquisas recentes mostram que a confiança nas urnas eletrônicas caiu de 83% em 2018 para 72% em 2024, um reflexo direto da disseminação de notícias falsas.
Nunes Marques, no entanto, evitou polemizar e preferiu destacar os mecanismos de verificação já existentes. "Cada voto é registrado e pode ser conferido pelo eleitor por meio do voto impresso, que é apenas um comprovante, mas o sistema é totalmente digital e auditável", explicou, referindo-se à polêmica em torno da impressão do voto, que foi rejeitada pelo Congresso em 2021.
Próximos passos do TSE
O TSE já anunciou que, para 2026, pretende ampliar a participação de entidades fiscalizadoras e criar um canal direto para denúncias de desinformação durante o período eleitoral. A Corte também estuda parcerias com plataformas digitais para agilizar a remoção de conteúdos falsos sobre o processo de votação.
Em sua fala, o ministro reforçou que a Justiça Eleitoral está aberta ao diálogo e que novas medidas de transparência serão apresentadas nos próximos meses. "Estamos trabalhando para que o eleitor tenha cada vez mais segurança e informação de qualidade", concluiu.



