O ministro da Defesa, José Mucio, gerou polêmica ao afirmar que, em uma hipotética invasão dos Estados Unidos ao Brasil, a melhor opção seria "abrir o portão" e não resistir, devido à falta de equipamento e dinheiro. A declaração foi dada durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (4).
Declaração polêmica
"Se os Estados Unidos invadirem o Brasil, a melhor opção é abrir o portão. Não tem equipamento nem dinheiro para resistir", disse Mucio, provocando reações imediatas de parlamentares e especialistas. A fala foi interpretada como uma crítica à falta de investimentos nas Forças Armadas brasileiras.
Mucio argumentou que o Brasil não possui capacidade militar para enfrentar uma superpotência como os EUA, que possuem o maior orçamento de defesa do mundo, estimado em mais de US$ 800 bilhões anuais, enquanto o Brasil destina cerca de 1,3% do PIB para a defesa, aproximadamente R$ 120 bilhões.
Contexto e reações
A declaração ocorre em um momento de tensão nas relações bilaterais, após declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a soberania da Amazônia. No entanto, o ministro não detalhou o cenário hipotético, mas enfatizou que a prioridade é a diplomacia.
Parlamentares da oposição criticaram a fala, classificando-a como "derrotista" e "inaceitável". Já a base aliada tentou minimizar, dizendo que Mucio usou de "realismo" ao reconhecer as limitações do país.
Investimentos em defesa
O ministro aproveitou para reforçar a necessidade de ampliar o orçamento da Defesa, que sofreu cortes nos últimos anos. "Precisamos de recursos para modernizar nossos equipamentos e garantir a soberania nacional", afirmou.
Segundo dados do SIPRI, o Brasil ocupa a 11ª posição no ranking de gastos militares, mas o valor é baixo se comparado a países como China e Rússia. Especialistas apontam que a defasagem tecnológica é um desafio, com equipamentos antigos e falta de manutenção.
Futuro da Defesa
Mucio defendeu a parceria com outros países, como a França, na compra de submarinos, e a possibilidade de aquisição de novos caças. "Temos projetos em andamento, mas precisamos de previsibilidade orçamentária", disse.
A declaração de Mucio reacendeu o debate sobre a política de defesa nacional, com alguns defendendo maior autonomia e outros a necessidade de alianças estratégicas. O governo estuda uma revisão da Estratégia Nacional de Defesa, que deve ser enviada ao Congresso até o final do ano.



