Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou ao centro do noticiário político após a abertura de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações, autorizadas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em negociações com órgãos do governo federal. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade.
Trajetória: da Biologia ao mundo dos negócios
Formado em Biologia pela Universidade Paulista (Unip), Lulinha começou a carreira como monitor no Zoológico de São Paulo. Durante o primeiro mandato do pai, ele passou a atuar no setor de tecnologia e entretenimento, tornando-se sócio da Gamecorp, depois rebatizada como G4 Entretenimento. A empresa recebeu investimentos milionários da Telemar, posteriormente Oi, e produziu conteúdo para TV, telefonia e internet.
O crescimento dos negócios gerou questionamentos sobre a origem dos investimentos e a influência do sobrenome presidencial, mas nenhuma condenação criminal foi imposta ao empresário nesses casos.
Investigações anteriores: Lava Jato e arquivamentos
Lulinha também foi alvo da Operação Lava Jato, que levantou suspeitas sobre contratos da Gamecorp e aportes da Telemar. Os processos, porém, foram arquivados ou anulados por decisões judiciais posteriores, sem condenação definitiva. Nos últimos anos, seu nome apareceu esporadicamente em investigações e comissões parlamentares, sem que figurasse formalmente como investigado.
O que pesa contra ele agora: os três inquéritos
O novo capítulo começou com a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS. Embora Lulinha não seja investigado pelas fraudes contra beneficiários, a PF encontrou elementos que justificaram a abertura de três inquéritos sobre sua atuação junto a órgãos federais.
- Primeiro inquérito: autorizado por André Mendonça em 30 de julho, apura tráfico de influência e corrupção em negociações com o Ministério da Saúde.
- Segundo inquérito: autorizado no dia seguinte, investiga suposta atuação em favor de empresários interessados em contratos com a Dataprev e outros órgãos, com possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
- Terceiro inquérito: autorizado por Flávio Dino nesta semana, busca esclarecer a atuação de um grupo que, segundo a PF, teria mantido negócios ilícitos em diferentes áreas do governo federal.
A ligação com o caso do INSS
As investigações têm origem em mensagens, documentos e outros elementos apreendidos na Operação Sem Desconto. Entre os personagens centrais está o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025. A PF também investiga a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, que teria atuado em negociações envolvendo produtos à base de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde.
A defesa de Lulinha afirma que ele não participou das fraudes, não recebeu recursos do esquema e nega qualquer prática ilícita. Sustenta que as relações comerciais eram lícitas e que provará sua inocência ao longo dos inquéritos.



