O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que os Estados Unidos romperam o protocolo diplomático ao anunciar o nome de Daniel Perez como novo embaixador americano no Brasil antes de consultar formalmente o governo brasileiro. A demora na concessão do aval ao indicado pela gestão Trump teria sido o argumento utilizado para revogar o visto da representante brasileira em Washington.
Anúncio antecipado gera mal-estar
Segundo fontes do Itamaraty, a indicação de Daniel Perez, que precisa do agrément (concordância formal) do Brasil, foi comunicada à imprensa americana antes de qualquer consulta oficial ao governo brasileiro. Esse procedimento, considerado padrão nas relações bilaterais, prevê que o país anfitrião seja ouvido em sigilo antes de qualquer anúncio público.
A gestão Trump, no entanto, teria optado por divulgar o nome de Perez diretamente, sem aguardar o aval brasileiro. A atitude foi interpretada como uma quebra de etiqueta diplomática e gerou desconforto nos bastidores do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores.
Revogação de visto como resposta
Como resposta, o Brasil teria revogado o visto da representante brasileira em Washington, medida que, segundo analistas, visa sinalizar o descontentamento com o procedimento adotado pelos EUA. A revogação do visto é um instrumento diplomático raro e demonstra a gravidade do mal-estar.
Especialistas em relações internacionais ouvidos pela reportagem avaliam que a atitude brasileira busca restabelecer o equilíbrio no processo de nomeação de embaixadores, que exige reciprocidade e respeito mútuo às normas consuetudinárias.
Itamaraty confirma desconforto
O Itamaraty, em nota oficial, confirmou que o governo brasileiro não foi consultado previamente sobre a indicação de Daniel Perez. A pasta destacou que o Brasil sempre observa os trâmites protocolares e espera que os países parceiros façam o mesmo.
“O governo brasileiro foi surpreendido pelo anúncio unilateral da indicação, sem que houvesse a consulta prévia de praxe. Mantemos interlocução com as autoridades americanas para esclarecer os procedimentos e garantir o pleno respeito às normas diplomáticas”, informou a nota.
Impacto nas relações bilaterais
A situação ocorre em um momento de expectativa para as relações entre Brasil e EUA, que haviam passado por um período de reaproximação após as eleições americanas. O episódio pode afetar a agenda bilateral, que inclui temas como comércio, meio ambiente e cooperação tecnológica.
Diplomatas brasileiros avaliam que a quebra de protocolo pode ter sido um erro da equipe de transição de Trump, mas ressaltam que a resposta brasileira foi proporcional e visa marcar posição. Ainda não há previsão para a nomeação oficial de Perez, que depende do agrément brasileiro.
Próximos passos
O governo brasileiro deve aguardar uma manifestação formal dos EUA sobre o ocorrido antes de decidir os próximos passos. Enquanto isso, a revogação do visto da representante brasileira permanece em vigor, como sinal de que o Brasil não aceitará procedimentos que firam a soberania nacional e as práticas diplomáticas estabelecidas.
Analistas políticos acreditam que o episódio deve ser superado com diálogo, mas que servirá de precedente para que futuras indicações sejam tratadas com maior cautela. A expectativa é de que as relações entre os dois países não sofram danos permanentes, mas que o ocorrido fique registrado como um exemplo de que o Brasil exige reciprocidade no trato diplomático.



