Um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI) expõe um cenário preocupante para o setor produtivo brasileiro: apenas 2% das pequenas indústrias do país investem em automação. O dado, divulgado nesta quarta-feira, evidencia a defasagem tecnológica das empresas de menor porte, que enfrentam dificuldades para competir em um mercado cada vez mais digitalizado.
Pesquisa da CNI revela baixa adoção de tecnologia
O estudo, realizado com mais de 2 mil empresas de todos os portes, mostra que a automação ainda é privilégio de grandes corporações. Enquanto 35% das indústrias de grande porte já adotaram processos automatizados, o percentual cai para 12% nas médias e despenca para 2% nas pequenas. A pesquisa também aponta que 78% das pequenas indústrias não possuem qualquer plano de digitalização para os próximos dois anos.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, os números refletem um problema estrutural. "A automação é essencial para aumentar a produtividade e a competitividade, mas as pequenas empresas enfrentam barreiras como falta de capital, mão de obra qualificada e receio do investimento", afirmou. Ele ressaltou que o Brasil precisa de políticas públicas que incentivem a modernização do parque industrial.
Impactos na economia e na competitividade
A baixa automação tem efeitos diretos na economia. Estudos internacionais indicam que a automação pode elevar a produtividade em até 30%, reduzir custos operacionais e melhorar a qualidade dos produtos. No entanto, sem investimentos, as pequenas indústrias brasileiras perdem espaço para concorrentes estrangeiros e até mesmo para empresas nacionais de maior porte.
O setor de alimentos e bebidas é um dos mais afetados, com apenas 1,5% das pequenas empresas automatizadas. Já o segmento de metalurgia apresenta o melhor índice entre as pequenas, com 4,2%. A pesquisa também revelou que as regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte dos investimentos, enquanto Norte e Nordeste ficam ainda mais para trás.
Desafios e possíveis soluções
Entre os principais obstáculos citados pelos empresários estão o alto custo dos equipamentos, a falta de conhecimento técnico e a incerteza sobre o retorno do investimento. A CNI defende a criação de linhas de crédito específicas, programas de capacitação e incentivos fiscais para estimular a adoção de tecnologias.
"Precisamos desmistificar a automação e mostrar que ela é acessível também para pequenos negócios", disse o gerente de Política Industrial da CNI, João Emílio. Ele citou exemplos de automação simples, como softwares de gestão e sensores de baixo custo, que podem gerar ganhos rápidos.
Perspectivas para o futuro
Especialistas alertam que a Indústria 4.0 é uma realidade que não pode ser ignorada. Com a digitalização crescente, empresas que não se modernizarem correm o risco de ficar obsoletas. A pesquisa da CNI serve como um alerta para a necessidade urgente de políticas públicas e investimentos privados.
O governo federal já sinalizou interesse em ampliar o programa Brasil Mais Produtivo, que oferece consultorias e recursos para pequenas indústrias. No entanto, especialistas afirmam que é preciso ampliar o alcance e agilizar a liberação de verbas.



