A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira (5) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa enviar sinais claros de responsabilidade fiscal para tranquilizar o mercado financeiro. Em entrevista à GloboNews, Tebet destacou que a equipe econômica está empenhada em ajustar as contas públicas, mas que a comunicação com os investidores deve ser mais eficiente.
Contexto de tensão no mercado
As declarações da ministra ocorrem em meio a um cenário de forte desconfiança dos agentes econômicos em relação ao governo. O dólar fechou em alta de 2,3% na terça-feira (4), cotado a R$ 5,80, refletindo o temor de que o Executivo não consiga aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso. A bolsa de valores também registrou queda de 1,8% no mesmo dia.
Segundo Tebet, o governo está ciente da necessidade de reduzir o déficit primário e de sinalizar um caminho sustentável para a dívida pública. Ela citou o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, como um instrumento importante, mas ressaltou que é preciso ir além.
Metas e desafios
O governo estabeleceu a meta de déficit zero em 2024, mas especialistas consideram o objetivo ambicioso dado o atual cenário de despesas obrigatórias crescentes. Tebet reconheceu o desafio, mas disse que o Ministério do Planejamento está trabalhando em conjunto com a Fazenda para identificar cortes de gastos e aumentar a eficiência do setor público.
“O presidente Lula sabe que o mercado precisa de confiança. Estamos fazendo nossa parte, com revisão de programas e otimização de recursos. Mas é fundamental que o Congresso compreenda a urgência das reformas”, afirmou a ministra.
Reações do mercado
Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que as falas de Tebet vão na direção correta, mas que o mercado espera ações concretas, como a votação da reforma administrativa e a revisão de subsídios. O economista-chefe de uma gestora local, que preferiu não se identificar, disse que “a pior coisa é a incerteza. O governo precisa mostrar que tem controle da situação”.
Na quarta-feira, o Banco Central realizou leilão de dólares para conter a volatilidade cambial, mas a medida teve efeito limitado. O mercado segue atento aos próximos passos do governo, especialmente à reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) prevista para a próxima semana.
Posição do governo
O Palácio do Planalto não comentou diretamente as declarações de Tebet, mas fontes da equipe econômica afirmam que o presidente está ciente da necessidade de acalmar os ânimos e que novas medidas devem ser anunciadas em breve. Entre elas, a possibilidade de contingenciamento de verbas orçamentárias ainda neste semestre.
Especialistas em contas públicas lembram que o governo tem até o final de agosto para enviar o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, e que o documento deverá refletir o compromisso com o equilíbrio fiscal. A pressão, no entanto, é grande, já que as despesas com Previdência e assistência social crescem em ritmo acelerado.
Impacto na economia real
A turbulência financeira já começa a afetar a economia real. O crédito está mais caro para empresas e consumidores, e o ritmo de investimentos perdeu força. Dados do Banco Central mostram que a concessão de empréstimos caiu 4,5% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para Tebet, a prioridade é garantir que o ajuste fiscal não comprometa os programas sociais. “Não vamos desmontar políticas públicas que beneficiam os mais pobres. O ajuste será feito com inteligência, cortando desperdícios e priorizando o que é essencial”, disse.
Próximos passos
O governo espera que a aprovação de projetos no Congresso, como a regulamentação da reforma tributária, ajude a melhorar o ambiente de negócios. Tebet, no entanto, evita dar prazos e prefere destacar o trabalho técnico em andamento. “Estamos fazendo a lição de casa, e os resultados virão”, concluiu.



