Governo Lula adota pautas eleitorais em tramitação avançada no Congresso
Lula adota pautas eleitorais em tramitação no Congresso

Um levantamento inédito obtido com exclusividade pelo GLOBO revela que o governo Lula tem se apropriado de pautas de forte apelo eleitoral que já estão em estágio avançado de tramitação no Congresso Nacional. A estratégia, segundo analistas, visa capitalizar politicamente sobre temas populares às vésperas das eleições de 2026, sem precisar apresentar novas propostas.

Quais pautas foram adotadas?

Entre os projetos que o Planalto passou a tratar como prioridade estão a regulamentação da reforma tributária, o marco legal das garantias, o programa de combate à fome e a proposta de renda mínima. Todos já haviam sido construídos em diálogo com parlamentares, mas agora ganharam status de bandeira do governo.

O levantamento, realizado por uma consultoria legislativa, mapeou 27 proposições com alta probabilidade de votação ainda neste semestre. Dessas, pelo menos 12 tiveram a participação direta de ministros em eventos públicos e redes sociais, associando a imagem do governo às iniciativas.

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Estratégia de comunicação

O Palácio do Planalto intensificou a comunicação dessas pautas, com inserções em rádio e TV e impulsionamento nas redes sociais. A ideia é mostrar resultados concretos para a população, especialmente em áreas como economia e assistência social, que são prioritárias para o eleitorado.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam que a tática é comum em anos pré-eleitorais, mas ganhou contornos mais sofisticados com o uso de dados e segmentação digital. "O governo não está criando nada novo, mas se apropriando de agendas que já estavam maduras, o que reduz o risco de rejeição", afirma o cientista político Carlos Melo.

Impacto na base aliada

A movimentação também tem efeitos na base aliada. Parlamentares que relataram as matérias veem com bons olhos o apoio explícito do Executivo, mas alguns reclamam de falta de crédito. "É uma via de mão dupla: o governo ganha visibilidade, mas os autores dos projetos também querem reconhecimento", disse o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).

Nos bastidores, líderes partidários afirmam que a estratégia pode gerar atritos, especialmente se o governo tentar colher os louros de projetos que não teve protagonismo na autoria. Por outro lado, a oposição critica o que chama de "oportunismo eleitoral".

Números do levantamento

Dos 27 projetos analisados, 15 têm potencial de gerar impacto direto na vida do cidadão comum, como redução de impostos, facilitação de crédito e ampliação de programas sociais. O governo já sinalizou que deve usar esses dados na campanha de comunicação.

O levantamento também mostra que, em 2025, o governo adotou postura semelhante com a reforma trabalhista, que resultou em aumento de aprovação popular. Agora, repete a dose com outras pautas, mirando principalmente o eleitorado de baixa renda, que foi decisivo na eleição de Lula.

Próximos passos

O Planalto deve intensificar a agenda de eventos para marcar a aprovação dessas matérias, com a presença do presidente Lula em cerimônias de sanção. A expectativa é que, até o fim do ano, a maioria dos projetos seja votada, criando um calendário positivo para o governo.

No entanto, o sucesso da estratégia dependerá da capacidade de articulação com o Congresso, que vive um momento de tensão com o Executivo em razão de disputas orçamentárias. Ainda assim, o levantamento sugere que o governo está disposto a usar todas as ferramentas disponíveis para transformar a agenda legislativa em capital político.

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