A 1ª edição do Summit Mulheres nas Profissões, realizada nesta terça-feira, 4, em São Paulo, teve início com uma defesa enfática do aumento da participação feminina na política e nos cargos de liderança das empresas. A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, movimento responsável pelo evento, afirmou que a iniciativa não é contra os homens, mas a favor das mulheres.
“Nós não somos contra os homens, nós somos a favor das mulheres”, declarou Luiza Trajano durante a abertura do evento, que reúne lideranças de diversas áreas até esta quarta-feira, 5, no Expo Center Norte.
Grupo Mulheres do Brasil completa oito anos com 16 frentes de atuação
Ao relembrar a criação do grupo, há oito anos, Trajano destacou que a organização nasceu para atender necessidades coletivas e que hoje atua em 16 frentes. “A gente não pode pensar só no nosso quintal. Vamos pensar no Brasil”, afirmou. Apesar da atuação em políticas públicas, a empresária ressaltou que o grupo nunca orientou votos nem apoiou candidatos específicos. “A nossa causa é causas”, resumiu.
Neste ano, no entanto, pela primeira vez, a organização decidiu lançar uma campanha para estimular a eleição de mulheres. A iniciativa busca ampliar a presença feminina em cargos eletivos. Sem citar partidos ou candidatas, Luiza Trajano defendeu que aumentar a participação feminina nos espaços de poder é uma forma de fortalecer a democracia e melhorar a formulação de políticas públicas. “Nós temos 16 causas, mas nunca pedimos voto para ninguém. Pela primeira vez estamos fazendo uma campanha para votar em mulheres”, afirmou.
‘Teto de vidro’: mais mulheres no alto escalão
Ao falar sobre a própria trajetória, Luiza Trajano lembrou que construiu a carreira em ambientes predominantemente masculinos. “Participei de movimentos em que só tinha homens”, contou. “Mudar o mundo. Essa é a nossa luta”, disse ao defender o aumento da participação feminina no alto escalão das empresas.
Dados divulgados pelo Estadão mostram que a presença de mulheres em conselhos de administração chegou, em 2026, a 22,8% e, em diretorias executivas, a 17,1% nas empresas do Ibovespa. A experiência de vida, de acordo com o relato da executiva, reforçou a necessidade de criar redes de apoio e incentivar mais mulheres a ocupar posições de liderança, tanto na iniciativa privada quanto na vida pública.
Sobre a participação na vida política, ela descartou qualquer intenção de disputar eleições. “Eu não sou candidata a nada. Eu sou uma política que defende causas. Políticas públicas mudam o País”, disse.
Fafá de Belém pede reconciliação e superação da polarização
A cantora Fafá de Belém participou da abertura e fez um discurso em defesa da reconciliação diante da polarização política que o País enfrenta. Ao homenagear Luiza Trajano, afirmou que a empresária se tornou uma referência para mulheres de diferentes gerações. “Trajano é um exemplo para todas as cidadãs do Brasil. É uma inspiração”, disse. Na sequência, a artista afirmou que o País precisa reconstruir pontes e superar divisões. “Precisamos unir este País: não é nós e eles”, afirmou.
Fafá lamentou que as diferenças ideológicas estejam comprometendo as relações. “Nós temos ideologias diferentes, isso destruiu amizades, famílias”, declarou.
Espaço para empreendedoras
Além dos painéis que reúnem lideranças de diversas áreas, como cinema, economia, política, saúde e bem-estar, o evento abriu espaço para uma feira que reúne cerca de 40 empreendedoras de pequeno, médio e grande porte. A estilista alagoana Martha Medeiros é uma das expositoras. O evento acontece nos dias 4 e 5 de agosto na Expo Center Norte.



