Investimentos na Defesa caem 11% sob Lula, apesar de promessa
Investimentos na Defesa caem 11% sob Lula

Levantamento divulgado nesta terça-feira revela que os investimentos na área de Defesa durante o governo Lula registraram queda de 11% em relação ao governo anterior. O dado contraria a promessa feita pelo presidente ao lançar sua campanha à reeleição, quando afirmou que priorizaria o setor.

Queda nos investimentos

De acordo com o levantamento, os valores destinados à Defesa no período de 2023 a 2026 somaram R$ 45,2 bilhões, contra R$ 50,8 bilhões no governo anterior. A redução de 11% ocorre em um contexto de aumento do orçamento total da União, o que indica uma perda de prioridade para o setor.

O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e considera os valores empenhados e liquidados, descontada a inflação. Os dados mostram que, em 2023, primeiro ano do governo Lula, houve uma queda de 8% em relação a 2022, último ano do governo Bolsonaro.

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Promessa de campanha

Durante o lançamento de sua campanha, em julho, Lula afirmou que "a Defesa Nacional é prioridade" e que seu governo "vai investir como nunca" no setor. No entanto, os números indicam o oposto. "O discurso não se refletiu no orçamento", afirma o pesquisador do Ipea, Rodrigo Faria.

Faria ressalta que a queda é ainda mais significativa se considerarmos o aumento das ameaças na região, como a crise na Venezuela e a crescente presença de potências estrangeiras na América do Sul. "O Brasil precisa de uma política de Defesa robusta, mas os recursos estão encolhendo", completa.

Impactos para as Forças Armadas

A redução nos investimentos afeta diretamente a modernização de equipamentos e a manutenção de projetos estratégicos, como o programa de submarinos e o desenvolvimento do caça Gripen. O Ministério da Defesa, em nota, afirmou que "a gestão busca eficiência e prioriza projetos essenciais", mas não comentou os números.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO alertam que a falta de investimento pode comprometer a capacidade de resposta do país em cenários de crise. "Estamos defasados em relação a outros países da região, como Colômbia e Chile, que aumentaram seus gastos em Defesa", diz o analista militar Paulo César.

Perspectivas futuras

Para o próximo ano, a proposta orçamentária enviada ao Congresso prevê um aumento de 2% nos investimentos da Defesa, mas ainda abaixo do necessário para recuperar as perdas. O governo argumenta que a prioridade é a área social, mas críticos apontam que a Defesa também é essencial para o desenvolvimento nacional.

O levantamento do Ipea será apresentado em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, marcada para a próxima semana. Parlamentares da oposição já sinalizaram que vão cobrar explicações do governo sobre a queda.

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