O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião com funcionários de alto escalão da entidade em meio à crise dos últimos dias. De acordo com veículos europeus como a Sky Sports e o The Times, Infantino se encontrará com lideranças nesta quarta-feira, em Rabat, no Marrocos. Os temas que serão abordados no encontro ainda não estão confirmados, mas a reunião surge depois de vir à tona a notícia de que o presidente perdeu apoio de alguns funcionários importantes após divulgar o plano de venda de ações para investidores privados.
Reunião em Rabat em meio à pressão
A reunião ocorre em um momento delicado para o dirigente, que passou em três dias de todo-poderoso do futebol mundial a dirigente na berlinda na presidência da Fifa. O plano de criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE) para a venda de ações a investidores privados fracassou rapidamente, e Infantino vive seu momento mais pressionado desde que assumiu o cargo.
A ideia de Infantino era criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
Rejeição imediata e boicote europeu
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
A entidade europeia defende, agora, uma mudança na presidência da Fifa, deixando Infantino sob forte pressão. O sindicato dos jogadores também criticou o plano, afirmando que o projeto foi feito "a portas fechadas". O chefe operacional da Fifa também se manifestou contra a proposta, chamando-a de "projeto de uma pessoa só".
Desistência e cenário político
Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta, três dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da Fifa a investidores privados. A Uefa, que reúne as federações europeias, defendeu abertamente a mudança na presidência.
Mas Infantino tem apoiadores importantes, caso do Marrocos - uma das três principais sedes da Copa do Mundo de 2030 - e tampouco sofreu críticas por parte da Conmebol, confederação sul-americana de futebol e uma das mais importantes mundialmente. Amparado a isso, pode tentar se sustentar no cargo até março, quando haverá a eleição para tentar seu quarto e último mandato.
Possível saída e Conselho da Fifa
O Conselho da Fifa pode convocar reunião de emergência para tratar da saída de Infantino caso 19 de seus 37 membros a solicitem. A distribuição dos 37 membros é a seguinte: nove da Uefa, sete da AFC (Confederação Asiática de Futebol), seis da CAF (Confederação Africana de Futebol), cinco da Concacaf (Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central), cinco da Conmebol e três da Oceania. Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro.
Gianni Infantino foi visto no Marrocos na semana passada, participando de celebrações do Dia do Trono, que exalta a data na qual o rei Mohammed VI assumiu o posto, há 27 anos. O país africano, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, é visto como um aliado importante do presidente da Fifa.



