O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião de emergência com a alta cúpula de funcionários da entidade para esta quarta-feira, em Marrocos. O encontro ocorre em meio à pior crise de governança dos seus dez anos de mandato, com federações retirando apoio e executivos da própria entidade tecendo críticas duras ao seu projeto mais ambicioso.
Reunião em Marrocos e contexto
Marrocos é uma das sedes da próxima Copa do Mundo, ao lado de Espanha e Portugal, e foi onde Infantino fez sua última aparição pública, na semana passada. A convocação da reunião foi revelada pelo jornal britânico The Times, mas o tema permanece em sigilo. A iniciativa ocorre em um momento de intensos questionamentos à sua liderança, que se intensificaram nas últimas semanas.
Críticas de Wenger e Grafström
Nesta terça-feira, o chefe de Desenvolvimento Global do Futebol, Arsène Wenger, publicou um comunicado classificando como "absolutamente necessária e inquestionável" a decisão de retirar o projeto de criar a subsidiária Fifa Forward Enterprise (FFE) e vender suas ações a investidores privados. O francês afirmou que só tomou conhecimento do projeto por meio da imprensa e fez questão de se desassociar dele.
Além de Wenger, o secretário-geral Mattias Grafström, número 2 da Fifa, também se manifestou criticamente. Em um e-mail enviado aos funcionários e revelado pela Sky News, Grafström disse que o projeto era "difícil de compreender e de aceitar". Sem citar Infantino diretamente, ele afirmou: "Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade com o futebol permanecem".
Posição de Grafström e futuro da Fifa
Grafström agradeceu aos funcionários pela dedicação e se colocou à disposição para apoiá-los neste momento de crise, evidenciando sua posição de liderança. Suas declarações o credibilizam como eventual líder interino, caso Infantino deixe o cargo antes do fim do mandato, em março de 2027. "Garanto que, como integrantes da administração, vocês serão defendidos e preservados do contexto político que estamos vivendo neste momento", acrescentou.
A reunião de emergência convocada por Infantino pode ser uma tentativa de conter os danos e reafirmar sua autoridade, mas o clima interno é de desconfiança e oposição. A crise na Fifa reflete um momento de instabilidade na governança do futebol mundial, com potenciais impactos para a organização da Copa do Mundo de 2026 e para a imagem da entidade.



