A campanha do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) definiu, nesta segunda-feira (4), o nome que ocupará a vice-presidência na chapa para as eleições de 2026. A decisão foi tomada em reunião fechada da cúpula do partido, realizada em Brasília, e contou com a presença do próprio senador e de lideranças do PL. A escolha recaiu sobre um nome com perfil técnico e trânsito no centro político, segundo fontes ouvidas pela reportagem.
Nome escolhido e perfil do vice
O escolhido é o economista e ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que já atuou no governo Jair Bolsonaro e mantém boa relação com o mercado financeiro. A informação foi confirmada por dois integrantes da cúpula do PL, que pediram anonimato para tratar do assunto. Guedes aceitou o convite e deve ser anunciado oficialmente nos próximos dias, em evento que ocorrerá em São Paulo.
A escolha de Guedes atende a uma estratégia de ampliar a base de apoio da chapa para além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo. O ex-ministro é visto como um nome capaz de dialogar com setores do agronegócio, da indústria e do centro político, além de ter reconhecimento internacional. Em 2022, Guedes chegou a ser cotado para a vice-presidência, mas acabou ficando de fora da composição final.
Reações e impacto na campanha
A definição do nome gerou reações imediatas entre os aliados. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a chapa está "fortalecida" e que Guedes agrega "experiência e credibilidade" ao projeto. "É uma dupla que une gestão e política. Flávio tem o DNA do Bolsonaro, e Paulo tem a competência técnica para destravar a economia", declarou Costa Neto.
Por outro lado, a oposição criticou a escolha. O pré-candidato do PT, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, disse que a aliança representa "a continuidade de um projeto que já mostrou seus limites". Em nota, Haddad afirmou que "a população não quer retrocesso, quer emprego e renda". A campanha de Flávio Bolsonaro respondeu que a crítica é "previsível" e que o foco está em apresentar propostas para o país.
Próximos passos e estratégia
Com a definição do vice, a campanha de Flávio Bolsonaro deve acelerar o ritmo de atividades. Estão previstos eventos em pelo menos dez estados nas próximas duas semanas, com foco em temas como segurança pública, economia e geração de empregos. A equipe de comunicação também prepara uma série de vídeos apresentando o perfil de Guedes e sua visão para o país.
Pesquisas recentes mostram Flávio Bolsonaro em segundo lugar nas intenções de voto, atrás de Haddad. Segundo o último levantamento do instituto Datafolha, divulgado no fim de julho, o senador tem 28% das intenções de voto, contra 35% do petista. A distância, no entanto, é considerada dentro da margem de erro em alguns cenários, e a campanha aposta na economia como principal trunfo.
A oficialização da candidatura deve ocorrer em convenção partidária marcada para o dia 5 de agosto, em Brasília. Na ocasião, a chapa completa será apresentada, incluindo os nomes para os cargos proporcionais. O partido também deve anunciar alianças com outras siglas, como o PP e o Republicanos, que já sinalizaram apoio.
Análise e expectativas
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a escolha de Guedes é uma tentativa de profissionalizar a campanha e atrair o eleitorado moderado. "O nome de Guedes traz um alívio para o mercado e pode ajudar a reduzir a rejeição de Flávio em segmentos mais centristas", analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper. Por outro lado, Melo ressalta que o ex-ministro tem uma imagem associada à reforma da Previdência e à política de juros, que podem ser exploradas pela oposição.
A campanha de Flávio Bolsonaro também planeja usar a presença de Guedes para reforçar o discurso de que a chapa é capaz de "governar para todos", evitando a polarização extrema. Nos próximos dias, a dupla deve conceder entrevistas coletivas e participar de sabatinas em veículos de comunicação de grande alcance.
Com a definição do vice, a corrida eleitoral de 2026 ganha um novo contorno. A chapa Bolsonaro-Guedes terá o desafio de consolidar uma alternativa ao PT no segundo turno, enquanto Haddad busca ampliar a vantagem nas pesquisas. O cenário, segundo analistas, é de disputa acirrada, com a economia e a segurança pública como temas centrais.



