Esposa de Weverton Rocha recebeu R$ 11 mi de empresas ligadas a advogado alvo de operação da PF
Esposa de Weverton Rocha recebeu R$ 11 mi de empresas ligadas a advogado alvo da PF

A Polícia Federal (PF) identificou que a esposa do senador Weverton Rocha (PDT-MA), a advogada Raphaella Rocha, recebeu cerca de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado Antônio Carlos Cavalcante de Oliveira, alvo da Operação Falso Positivo, que investiga um esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação consta em relatório da PF encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Raphaella.

Segundo o documento, entre 2019 e 2023, Raphaella recebeu transferências de pelo menos quatro empresas que têm como sócio ou procurador o advogado Antônio Carlos, que está preso preventivamente desde maio deste ano. Os valores, que somam R$ 11.034.500,00, foram depositados em contas da advogada e de suas empresas, a RR Advocacia e a RR Participações.

As empresas que fizeram os repasses são a Cavalcante & Oliveira Advogados Associados, a C&O Participações, a J&A Empreendimentos e a Construtora e Incorporadora Monte Líbano. De acordo com a PF, essas empresas são controladas por Antônio Carlos ou por pessoas ligadas a ele, e algumas delas estão sob investigação por supostamente integrarem o esquema de fraudes.

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O esquema investigado pela Operação Falso Positivo consistia na concessão de benefícios previdenciários fraudulentos, como aposentadorias por invalidez e pensões por morte, mediante o pagamento de propinas a servidores do INSS e a intermediários. A PF estima que o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 200 milhões.

Em nota, a defesa de Raphaella Rocha afirmou que os repasses são “absolutamente lícitos” e decorrem de contratos de prestação de serviços advocatícios firmados entre ela e as empresas de Antônio Carlos. A defesa também disse que Raphaella não tem qualquer envolvimento com as fraudes e que ela é “vítima de uma tentativa de associar seu nome a fatos que desconhece”.

O senador Weverton Rocha, que é pré-candidato ao governo do Maranhão, também se manifestou por meio de sua assessoria. Ele afirmou que confia na inocência de sua esposa e que “não há qualquer ilegalidade” nos repasses, que foram declarados à Receita Federal. Weverton também disse que a PF está sendo usada politicamente para atingi-lo, já que ele é um dos principais nomes da oposição no estado.

A Operação Falso Positivo foi deflagrada em maio deste ano, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em vários estados, incluindo Maranhão, São Paulo e Distrito Federal. Até o momento, foram presas 12 pessoas, entre elas servidores do INSS e advogados. As investigações continuam em sigilo.

O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a necessidade de maior fiscalização nos benefícios previdenciários. Especialistas apontam que fraudes como essa causam prejuízos bilionários anuais aos cofres públicos e prejudicam quem realmente tem direito aos benefícios.

A PF informou que o relatório foi encaminhado ao STF, que é o responsável por autorizar novas diligências. O ministro relator, Alexandre de Moraes, ainda não se manifestou sobre o caso.

Raphaella Rocha é advogada e atua principalmente na área previdenciária. Ela é casada com Weverton Rocha desde 2015 e o casal tem dois filhos. A defesa de Raphaella afirma que ela nunca foi alvo de qualquer investigação e que sua vida pregressa é ilibada.

O senador Weverton Rocha é líder do PDT no Senado e um dos principais articuladores da oposição ao governo federal. Ele vem sendo cotado para disputar o governo do Maranhão em 2026, mas nega que o caso de sua esposa possa afetar sua pré-candidatura.

O advogado Antônio Carlos Cavalcante de Oliveira, que está preso, é apontado pela PF como um dos líderes do esquema. Ele é suspeito de atuar como intermediário entre os beneficiários e os servidores do INSS, cobrando propinas que variavam de R$ 5 mil a R$ 50 mil por benefício concedido.

A PF também investiga se outros políticos ou agentes públicos receberam vantagens indevidas do esquema. Até o momento, não há indícios de envolvimento de outros parlamentares.

O caso deve ser analisado pela Comissão de Ética do Senado, que pode abrir processo contra Weverton Rocha, caso haja indícios de quebra de decoro parlamentar. No entanto, por enquanto, não há nenhuma representação protocolada.

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O senador afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que não teme investigações. Ele também disse que sua esposa está “tranquila” e que “a verdade vai prevalecer”.