Os jogos eliminatórios nem sempre traduzem o real momento das equipes na temporada, e os primeiros confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 escancararam uma preocupante queda de rendimento técnico. Em oito partidas, quatro terminaram sem gols, uma empatou em 1 a 1 e apenas três vitórias encaminharam as classificações de Palmeiras, Internacional e Athletico-PR.
Queda de rendimento pós-Copa do Mundo
A qualidade técnica e tática do futebol brasileiro tem apresentado queda vertiginosa após a parada para a Copa do Mundo 2026. Alguns atletas demonstram falta de ritmo por terem passado férias durante o Mundial, enquanto outros, que atuaram por suas seleções, chegam fatigados ou lesionados.
O meio-campista Paquetá, por exemplo, ainda não foi utilizado pelo Flamengo, recuperando-se de lesão sofrida nos jogos da Seleção Brasileira. Já o zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras, teve lesão constatada após atuar ativamente pelo Paraguai. Os atacantes Arias e Flaco López também vêm sendo poupados parcialmente pelo Verdão para prevenir problemas físicos.
Postura conservadora domina os jogos
São raras as plataformas táticas que privilegiam a qualidade do jogo em detrimento da questão física. As escalações para poupar jogadores dificilmente consideram a manutenção do estilo de jogo, e as partidas se tornam sofríveis do ponto de vista tático. As vagas são preenchidas com atletas de características distintas, já que a qualidade dos reservas é inferior à dos titulares na maioria dos clubes brasileiros.
Mas a principal causa da baixa qualidade é a postura excessivamente conservadora adotada pelas equipes. Embora a preocupação defensiva seja legítima, ela se torna problemática quando é a única forma de ser competitivo.
Internacional e Palmeiras: vitórias sem brilho
O Internacional, por exemplo, alicerça seu esquema em defesa segura e contra-ataques. Possui elenco para um futebol mais elaborado, mas, lutando contra o rebaixamento no Brasileirão, prioriza a segurança. Venceu o Corinthians aproveitando duas falhas do adversário, sem apresentar o futebol esperado para seu potencial.
Palmeiras e Fortaleza fizeram primeiro tempo equilibrado. O Verdão teve mais posse, mas mostrou desinteresse e cedeu espaços para contra-ataques perigosos. A vitória por 3 a 0 veio após reestruturação no segundo tempo, quando a superioridade técnica se tornou evidente.
Grêmio, Athletico-PR e os empates sem gols
O empate em 1 a 1 entre Mirassol e Grêmio teve momentos de organização do time da casa. O Grêmio repetiu as dificuldades da temporada, sendo ofensivo apenas em contra-ataques, decepcionando diante da expectativa no trabalho do técnico Luís Castro.
O Athletico-PR venceu o Vitória por 2 a 0, ratificando o momento das equipes. O time baiano, que briga contra o rebaixamento, foi pouco competitivo, enquanto o Furacão usou seu esquema vertical com Leozinho e Viveros, mostrando clara superioridade.
Nos demais jogos, nenhum gol foi marcado, tornando a prática frustrante e monótona, e adiando as decisões para os jogos de volta. O receio de exposição negativa pode levar a disputas por pênaltis.
Clássicos e decepções: Fluminense, Vasco, Santos e Cruzeiro
O clássico entre Fluminense e Vasco, teoricamente entre potências, teve qualidade técnica sofrível. O Fluminense, no G4 do Brasileirão, teve volume de jogo improdutivo; o Vasco, na zona de rebaixamento, mostrou limitações e se adapta ao técnico Pedro Emanuel.
Santos e Remo foi outra decepção. O Peixe foi mais organizado, mas errou passes decisivos. O Remo, conservador, criou chances, mas esbarrou no goleiro Gabriel Brazão.
Esperava-se que o Cruzeiro, em ascensão, resolvesse a eliminatória contra a Chapecoense, virtualmente rebaixada. Mas o jogo foi equilibrado, com a Chapecoense apostando em contra-ataques e defesas.
Atlético-MG e o recado da torcida
O Atlético-MG era amplo favorito contra o Juventude, da Série B, mas houve alternância de domínio e a decisão ficou para o segundo jogo. A torcida do Galo, decepcionada, vaiou e xingou o time e a diretoria.
Em oito jogos, cinco terão decisão na volta, quatro deles sem gols. O saldo é extremamente preocupante e evidencia a necessidade de mais qualidade, comprometimento, repertório técnico e ideias inovadoras no futebol brasileiro.



