O empréstimo de R$ 300 mil feito pela lobista Marisa Letícia ao ex-assessor da Presidência Paulo Roberto foi realizado em um único desembolso, conforme depoimento prestado à Polícia Federal na última quinta-feira. A informação consta nos autos da investigação que apura possíveis irregularidades na liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS.
Detalhes do depoimento
Segundo o depoimento, Marisa Letícia afirmou que o valor foi transferido de uma só vez, em março de 2023, para a conta de Paulo Roberto. Ela justificou o empréstimo como um favor pessoal, sem relação com suas atividades de lobby. A PF, no entanto, investiga se o dinheiro teria relação com a atuação da lobista em contratos com o Ministério do Trabalho durante a gestão de Luiz Marinho.
O ex-assessor, por sua vez, confirmou o recebimento do valor e disse que o utilizou para quitar dívidas pessoais. Ele negou qualquer ilegalidade e afirmou que o empréstimo foi formalizado com contrato e pagamento de juros, embora não tenha apresentado o documento até o momento.
Contexto da investigação
A investigação da PF começou após reportagens revelarem que a lobista teria atuado para acelerar a liberação de verbas do Fundo de Investimentos do FGTS para empresas ligadas a aliados do governo. O montante sob suspeita chega a R$ 1,2 bilhão, e a PF já realizou buscas em endereços ligados a Marisa Letícia e a Paulo Roberto.
Especialistas em direito administrativo ouvidos pelo blog apontam que, embora o empréstimo pessoal não seja ilegal, a origem e a destinação dos recursos precisam ser esclarecidas, especialmente porque Paulo Roberto tinha acesso a informações privilegiadas sobre decisões do governo.
Repercussão política
O caso gerou reação da oposição, que pediu explicações ao governo. O Palácio do Planalto, em nota, afirmou que não comenta investigações em andamento e que confia na apuração da PF. Já a defesa de Marisa Letícia disse que a lobista colabora com as investigações e que o depoimento foi prestado de forma voluntária.
O ex-presidente Lula, em evento público, evitou comentar o assunto, mas aliados próximos afirmam que ele está preocupado com o desgaste político. A oposição, por outro lado, já articula a criação de uma CPI para investigar o caso, o que pode aumentar a pressão sobre o governo.
Próximos passos
A PF deve agora analisar os extratos bancários e as mensagens trocadas entre os envolvidos para verificar se há outros pagamentos ou repasses. O inquérito corre em sigilo, mas a expectativa é de que novas diligências sejam realizadas nas próximas semanas.
Especialistas ouvidos pelo blog avaliam que, caso fique comprovado que o empréstimo foi usado para influenciar decisões do governo, os envolvidos podem responder por tráfico de influência e corrupção passiva, com penas que variam de 2 a 12 anos de prisão.



