O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira, 4, que os escândalos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comprometeram a candidatura dele e levaram partidos a recuar das negociações para integrar sua coligação. A declaração foi dada em entrevista coletiva, ao comentar a decisão do Republicanos de permanecer neutro na disputa pelo Palácio do Planalto.
Caiado critica convenção e cita 'recuo' de partidos
“Não tenho a menor dúvida. Isso é uma radiografia clara do quanto a candidatura dele ficou comprometida”, afirmou Caiado. Segundo ele, as denúncias provocaram “um recuo de todos aqueles que iriam para a sua coligação”. O ex-governador de Goiás também classificou como pífia a convenção que oficializou a candidatura de Flávio. Caiado ironizou o destaque dado no evento ao presidente da Argentina, Javier Milei, e a uma representação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzida com inteligência artificial. “Perdeu para o argentino e perdeu para o avatar”, declarou.
Neutralidade do Republicanos abre espaço para debate
Caiado disse que seu grupo político já esperava um afastamento de outras siglas tanto de Flávio quanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, a neutralidade do Republicanos mostra que as legendas não se sentiram confortáveis em integrar nenhum dos dois campos. “Isso abre um espaço real para um debate em que ninguém, a não ser o atual presidente, terá maior prevalência no tempo de rádio e televisão”, disse. Segundo Caiado, o cenário permitirá aos demais candidatos apresentar propostas e confrontar os adversários em condições mais equilibradas.
Sabatina em São Paulo reúne presidenciáveis
As declarações foram dadas após sabatina organizada pela G4 Hub e pelo portal O Antagonista, em São Paulo, com candidatos à Presidência da República. Participam do evento, além de Caiado, Flávio, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o influenciador Renan Santos (Missão). Lula foi convidado, mas não respondeu.
O cenário político para 2026 segue indefinido, com a oposição buscando unificar-se em torno de uma candidatura única. A decisão do Republicanos de manter-se neutro pode influenciar outras legendas, que avaliam os impactos das crises envolvendo os principais postulantes. Caiado, por sua vez, tenta se posicionar como alternativa viável, destacando sua experiência administrativa em Goiás.
Analistas apontam que a ausência de um nome consolidado na centro-direita pode fragmentar votos e beneficiar Lula, que busca a reeleição. A neutralidade do Republicanos, partido com forte presença no Centrão, é vista como um termômetro para as articulações nos bastidores. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro enfrenta resistência interna no PL, com setores defendendo uma candidatura própria ou apoio a outro nome.
A sabatina realizada em São Paulo é uma das primeiras iniciativas para promover debates entre os presidenciáveis. Com a presença de quatro candidatos, o evento permitiu confronto de ideias sobre economia, segurança e reformas estruturais. Caiado aproveitou para reforçar suas propostas de gestão eficiente e crítica à polarização, tentando atrair eleitores moderados.
Impacto das denúncias na campanha de Flávio
As denúncias contra Flávio Bolsonaro, que incluem supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, têm sido exploradas por adversários. O senador nega as acusações e diz que se trata de perseguição política. No entanto, a repercussão negativa já afeta sua viabilidade eleitoral, segundo pesquisas recentes.
Caiado, ao comentar o assunto, evitou aprofundar nas acusações, mas usou o caso para criticar a gestão da família Bolsonaro. “O Brasil precisa de líderes com credibilidade e histórico de boas práticas”, disse. A declaração reforça a estratégia do ex-governador de se apresentar como um nome técnico e sem envolvimento em escândalos.
Enquanto isso, o Republicanos justificou sua neutralidade como uma decisão de “independência” e “diálogo com todos os campos”. A sigla, que governa estados como São Paulo e Minas Gerais, busca manter-se relevante no cenário nacional sem comprometer-se antecipadamente com um candidato.
O próximo passo na corrida eleitoral será a definição das convenções partidárias e o registro oficial das candidaturas. Até lá, os presidenciáveis intensificam viagens e agendas públicas para ampliar seu reconhecimento. Caiado, que já foi governador e senador, aposta em sua experiência e em uma base sólida no agronegócio para crescer nas pesquisas.



