O segundo encontro do projeto Brasil Adiante, realizado em 11 de junho, confirmou o que já havia sido demonstrado pelo primeiro. Há, na sociedade civil, cidadãos dispostos a discutir os problemas do País com seriedade e espírito público e sem a estreiteza da polarização política. Nas áreas de educação e saúde, foco da nova rodada de propostas, o engajamento cívico revela-se ainda mais animador – o que é um bálsamo, haja vista que o sucesso em uma e outra áreas é condição indispensável para que o Brasil realize todo o seu potencial de desenvolvimento.
Desigualdade como reflexo da falta de acesso
Fábio Barbosa, curador do Brasil Adiante, ofereceu logo de início a síntese mais precisa do encontro ao lembrar que a má distribuição de renda no País é decorrência direta de desigualdades mais profundas no acesso à educação e à saúde. Essa reflexão de Barbosa chega às raias da subversão num país viciado em tratar a pobreza como mero problema de transferência de renda, não como corolário de um déficit de cidadania muito mais amplo.
Educação como prioridade nacional
A inflexão virtuosa só ocorrerá quando o País for governado por alguém “fanático” e “obcecado” por educação, como disse Denis Mizne, da Fundação Lemann. Até que este homem ou esta mulher chegue à Presidência da República, o Brasil seguirá sem priorizar a área que levará ao salto para o progresso. Nenhum país jamais se arrependeu por ter priorizado a educação, como bem lembrou Priscila Cruz, do Todos Pela Educação.
De fato, casos de sucesso que vão da Coreia do Sul à Finlândia só foram possíveis porque, no coração do poder nesses países, havia uma convicção inabalável de que educar os cidadãos era a grande prioridade nacional como política de Estado, não como slogan de campanha deste ou daquele governo. Lamentavelmente, essa mentalidade ainda não anima nossas lideranças políticas.
Há muito este jornal sustenta que garantir o acesso à educação básica, gratuita e de qualidade de todas as crianças brasileiras não só é um direito fundamental, como é um dever moral de todos os governantes e o mais rentável investimento que a Nação pode fazer em si mesma. Uma criança bem educada, no futuro, irá trabalhar bem, contribuir para a Previdência, eventualmente criar empresas, inovar, cuidar dos mais velhos, votar com consciência e exigir políticos à sua altura. Noutras palavras: educação é política pública de longo prazo. Talvez seja por isso que nunca esteja no rol de prioridades de políticos que só enxergam o próximo ciclo eleitoral.
Saúde e o SUS como conquista civilizatória
Isso também vale para a saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), como já dissemos, é uma das maiores conquistas civilizatórias do Brasil republicano. Criado pela Constituição de 1988 como expressão do compromisso do Estado com a vida e a saúde de todos os brasileiros, o SUS enfrenta pressões crescentes, das quais o envelhecimento acelerado da população é a mais urgente.
O painel de especialistas reunido pelo Brasil Adiante apontou caminhos para lidar com esses desafios: financiar mais o sistema, fortalecer a atenção primária, integrar saúde e assistência social, descentralizar a gestão e modernizar a incorporação de tecnologias. São propostas exequíveis que estarão à disposição do presidente eleito ao fim do projeto Brasil Adiante. O que será feito delas, o futuro dirá.
Diagnóstico conhecido, falta liderança
O encontro da semana passada reforçou a ideia de que o País conhece seus problemas, sabe o que precisa fazer e, em grande medida, já sabe como fazer. O que falta não é diagnóstico, é liderança e vontade política capazes de transformar conhecimento em ação, e ação em resultado. Como disse Pedro Parente no encontro inaugural do Brasil Adiante, “sabemos onde estamos, mas não para onde ir”. Educação e saúde de qualidade para todos é esse caminho que o País precisa trilhar.



