Denis Mizne defende priorizar ensino básico e alfabetização
Denis Mizne defende priorizar ensino básico e alfabetização

O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, defende a necessidade de se priorizar o ensino básico. “Há uma captura muito grande dos recursos da educação pelos adultos que estão na escola. Há um lobby superorganizado do ensino superior. E o ensino básico público, onde estão 85% das crianças, não tem ninguém que fale por elas”, explicou em entrevista ao Estadão ao participar do Brasil Adiante, série de eventos promovida pelo jornal até agosto.

O ciclo de debates busca apresentar propostas concretas para o presidente que for eleito em outubro sobre os principais problemas do País. As soluções serão consolidadas em um documento que será entregue em novembro ao vencedor do pleito.

Três medidas prioritárias para o MEC

Mizne aponta três ações que o Ministério da Educação (MEC) deve tomar nos primeiros 24 meses do próximo governo. A primeira é acelerar o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), que apoia Estados e municípios a erradicar o analfabetismo escolar no Brasil. “O Brasil deu um salto, partiu de 30% das crianças alfabetizadas para 66%, mas ainda tem que chegar a 100%”, destaca. Ele defende um plano concreto para erradicar o analfabetismo escolar até o final da próxima gestão.

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A segunda medida é um programa similar para matemática, aproveitando o sucesso relativo da alfabetização. “No mesmo modelo: regime de colaboração, apoio para formação dos professores, mensuração e incentivos”, explica.

Por último, Mizne enfatiza a necessidade de melhorar o ensino fundamental 2, com foco no tempo integral. “Garantir que todos os alunos tenham pelo menos sete horas de aula. O currículo já existe, está bem desenhado, engaja esses estudantes. Mas isso demanda uma articulação e um investimento importante do governo”, afirma.

Como implementar as medidas

O CEO sugere usar a estrutura já existente do CNCA, transformada em lei este ano, e estabelecer metas mais ambiciosas, como 100% de alfabetização até 2030. Para a matemática, propõe criar um decreto similar, sem necessidade imediata de aprovação no Congresso, embora a transformação em lei dê mais segurança como projeto de Estado.

Quanto ao ensino integral, Mizne destaca a transição demográfica no Brasil, com menos crianças, permitindo mais atenção por aluno. “Temos menos crianças, então podemos dar mais atenção para cada uma delas. Isso permite, por exemplo, precisar de menos escolas”, observa. Ele defende um trabalho detalhado de implementação em cada município, investimento em infraestrutura e garantia de que os professores tenham dedicação exclusiva de 40 horas na escola.

Prioridade política e desafios

Mizne ressalta que não existe país que tenha dado um salto em educação sem um líder obcecado pelo tema. “A próxima liderança política mais alta do Brasil precisa ser um fanático por educação”, afirma. Ele critica a disputa por recursos entre adultos e crianças, com lobby organizado do ensino superior, enquanto o ensino básico público não tem quem fale por ele. “Essa disputa no Congresso acaba afetando os recursos grandemente”, conclui.

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