Amiga de Michelle Bolsonaro e ex-miss, a candidata a vice na chapa de Douglas Ruas acumula uma série de falas polêmicas que têm gerado repercussão negativa e levantado questionamentos sobre sua adequação ao cargo. A ex-miss, que já foi coroada em concursos de beleza, agora enfrenta críticas por declarações consideradas controversas, incluindo comentários sobre minorias e políticas públicas.
Quem é a vice de Douglas Ruas
Trata-se de uma figura conhecida no meio conservador, próxima ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à sua esposa, Michelle. Sua indicação como vice de Ruas, que disputa o governo estadual, foi vista como uma tentativa de fortalecer a base bolsonarista na região. No entanto, suas declarações passadas têm sido usadas por adversários para desgastar a chapa.
Entre as falas que geraram controvérsia, destacam-se comentários considerados ofensivos a grupos LGBT e a religiões de matriz africana, além de defesas de pautas consideradas retrógradas. A ex-miss também já se manifestou contra políticas de cotas e ações afirmativas, o que aprofundou as críticas por parte de movimentos sociais.
Repercussão e impacto na campanha
As polêmicas têm sido amplamente exploradas nas redes sociais e pela imprensa local. Em entrevista recente, Douglas Ruas tentou minimizar o assunto, afirmando que 'as falas foram tiradas de contexto' e que sua vice é uma 'pessoa de bem, comprometida com os valores cristãos'. No entanto, a oposição tem usado o histórico da candidata para questionar a capacidade da chapa de representar todos os cidadãos.
Pesquisas de opinião indicam que a rejeição à candidata pode ser um fator decisivo nas eleições. Segundo um levantamento do instituto DataPoder, a taxa de rejeição à chapa Ruas subiu 5 pontos percentuais após a divulgação das falas, chegando a 38%.
Histórico de falas polêmicas
Em 2021, durante um evento político, a ex-miss afirmou que 'a mulher deve ser submissa ao marido' e que 'a educação das crianças é responsabilidade exclusiva da mãe'. Tais declarações foram duramente criticadas por feministas e educadores. Em outra ocasião, ela comparou a legalização do aborto a 'um genocídio', utilizando termos que foram considerados desproporcionais.
Além disso, a candidata já se referiu ao movimento negro como 'vitimista' e defendeu a redução da maioridade penal. Essas posições, embora encontrem eco em parte do eleitorado conservador, têm afastado eleitores moderados e indecisos.
Reação de aliados e apoiadores
Apesar das críticas, a ex-miss conta com o apoio de setores evangélicos e de grupos ligados ao bolsonarismo, que veem nela uma defensora dos valores tradicionais. Em um comício na última semana, ela foi recebida com aplausos e gritos de apoio. 'Ela é uma mulher corajosa que não tem medo de dizer o que pensa', afirmou um apoiador presente no evento.
Por outro lado, entidades de direitos humanos e movimentos sociais emitiram notas de repúdio, classificando suas falas como 'inaceitáveis' e 'incompatíveis com o cargo almejado'. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se manifestou, reforçando que 'a liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para discursos de ódio'.
O que está em jogo
Com as eleições se aproximando, a campanha de Ruas tenta conter os danos. Estratégias de comunicação estão sendo reavaliadas, e há rumores de que a vice possa ser orientada a evitar temas polêmicos e se ater a propostas de governo. No entanto, analistas acreditam que o estrago já está feito e que a chapa precisará de muito esforço para reverter a imagem negativa.
Especialistas em ciência política apontam que a polarização pode beneficiar a chapa em um cenário de disputa acirrada, mas alertam que o eleitorado feminino, em particular, pode ser decisivo. 'As falas da candidata podem afastar as mulheres, que representam a maioria do eleitorado', observa a cientista política Maria Silva, da Universidade de São Paulo.
Próximos passos
A equipe de campanha planeja uma série de sabatinas e entrevistas com a vice para que ela possa explicar suas posições e tentar diminuir a rejeição. A expectativa é que ela aborde temas como segurança pública e geração de empregos, evitando assuntos que geram controvérsia.
Enquanto isso, a oposição segue explorando o histórico da candidata, divulgando vídeos e trechos de suas falas anteriores. A disputa promete ser acirrada, e as polêmicas em torno da vice de Ruas devem continuar sendo um dos principais temas da campanha.



