Imóveis de luxo usados pelo Comando Vermelho para lavar dinheiro
Imóveis de luxo do CV para lavar dinheiro

A Polícia Federal deflagrou uma operação que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV) por meio da compra e venda de imóveis de luxo no Rio de Janeiro. A ação, batizada de Operação Imobiliária, cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e prendeu quatro pessoas, incluindo um empresário do setor imobiliário que atuava como laranja da facção.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, o CV utilizava empresas de fachada e laranjas para adquirir apartamentos e casas em bairros nobres, como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Copacabana. Os imóveis eram registrados em nome de terceiros, mas os verdadeiros donos eram os líderes da facção. O dinheiro do tráfico de drogas era injetado no mercado imobiliário, dando aparência de legalidade.

As autoridades estimam que mais de 50 propriedades foram adquiridas dessa forma, movimentando cerca de R$ 300 milhões nos últimos cinco anos. Os imóveis eram utilizados para moradia dos chefes do tráfico, mas também eram alugados ou revendidos, gerando lucro para a organização criminosa.

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Investigação e operação

A investigação começou há oito meses, após a quebra de sigilo bancário de suspeitos. Os agentes identificaram um padrão de compra de imóveis de alto padrão com pagamento em dinheiro vivo ou transferências fracionadas, sempre abaixo do valor de mercado para evitar alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

O empresário preso, identificado como Carlos Alberto de Oliveira, é apontado como o principal operador do esquema. Ele negociava os imóveis, registrava em nome de laranjas e repassava os lucros para a cúpula do CV. Segundo o delegado responsável, Márcio Gomes, "a lavagem de dinheiro é o que sustenta o poderio do tráfico. Sem ela, a facção não conseguiria manter sua estrutura de logística e armamento".

Impacto e próximos passos

A Polícia Federal agora busca a apreensão dos imóveis identificados, que serão leiloados para ressarcir os cofres públicos. A operação contou com o apoio do Ministério Público Federal e da Receita Federal, que irão analisar as movimentações financeiras dos envolvidos para aprofundar as investigações.

Especialistas apontam que o combate à lavagem de dinheiro é fundamental para enfraquecer as organizações criminosas. "O tráfico precisa legalizar seus lucros para reinvestir em armas e corrupção. Atacar o patrimônio é uma das formas mais eficazes", afirma a advogada criminalista Camila Rodrigues.

As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas. A polícia acredita que outros envolvidos, incluindo parentes de líderes do CV, possam estar ligados ao esquema.

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