O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não comparecer à cerimônia de sanção de um projeto de lei de sua autoria, marcando mais um capítulo no distanciamento entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento, previsto para esta semana, ocorre em meio a um impasse que se arrasta desde a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Relações estremecidas
Fontes próximas ao senador confirmaram que Alcolumbre não estará presente na solenidade, mesmo sendo o autor do texto que será sancionado. A ausência é vista como um sinal claro do mal-estar que persiste entre os dois poderes, especialmente após a derrota da indicação de Messias, que foi rejeitada em votação no plenário do Senado.
Desde então, os dois não mantêm conversas reservadas, e a relação institucional tem sido marcada por gestos de distanciamento. A decisão de não participar da sanção é mais um desses gestos, que evidencia a falta de diálogo entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Legislativo.
Projeto de autoria do senador
O projeto que será sancionado é de autoria de Alcolumbre e trata de um tema de relevância nacional, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados oficialmente. A expectativa era de que a cerimônia fosse um momento de reaproximação, mas a ausência do senador frustra essa possibilidade.
Analistas políticos apontam que o gesto de Alcolumbre pode ter impacto nas votações de interesse do governo no Congresso, especialmente em um momento em que a base aliada busca aprovar medidas importantes. A oposição, por sua vez, pode explorar o episódio para reforçar a narrativa de crise entre os poderes.
Impacto político
A relação entre Lula e Alcolumbre já não era das mais próximas, mas a rejeição de Messias ao STF foi um ponto de inflexão. A indicação de Messias, que era vista como uma aposta pessoal de Lula, foi derrotada no Senado, o que foi interpretado como uma derrota política do governo.
Desde então, Alcolumbre tem adotado uma postura mais independente, e sua ausência na sanção é mais um sinal de que ele não pretende alinhar-se automaticamente ao governo. Para o Planalto, a situação é delicada, pois o presidente do Senado é peça-chave para a aprovação de pautas prioritárias.
Próximos passos
A cerimônia de sanção deve ocorrer normalmente, com a presença de outras autoridades, mas a ausência de Alcolumbre será notada. Resta saber se o senador enviará algum representante ou se fará algum gesto simbólico para justificar sua ausência.
Nos bastidores, comenta-se que Alcolumbre pode estar avaliando o cenário político para definir sua posição em votações futuras, incluindo a reforma ministerial e outras pautas econômicas. O episódio também deve alimentar especulações sobre uma possível candidatura de Alcolumbre em 2026, embora ele não tenha feito movimentos nesse sentido.



