A Ofcom, órgão regulador de mídia e telecomunicações do Reino Unido, estabelecido durante o governo de Tony Blair, expandiu significativamente seu escopo de atuação com o avanço das plataformas digitais. Hoje, a entidade detém amplos poderes sobre as chamadas 'big techs', podendo barrar conteúdo ilegal e implementar medidas para proteger crianças online.
Origem e evolução da Ofcom
Criada em 2003, a Ofcom foi inicialmente concebida para supervisionar os setores de mídia e telecomunicações britânicos. Com o passar dos anos, no entanto, sua atuação se estendeu para o ambiente digital, refletindo a crescente influência das plataformas online na vida cotidiana.
A expansão de suas atribuições acompanhou a transformação digital, que trouxe novos desafios regulatórios, como a disseminação de desinformação, discurso de ódio e conteúdos prejudiciais a menores.
Novos poderes sobre as plataformas
Recentemente, a Ofcom passou a ter autoridade para exigir que as plataformas digitais adotem medidas proativas no combate a conteúdos ilegais. Isso inclui a implementação de sistemas de moderação mais eficazes e a criação de ambientes mais seguros para os usuários, especialmente crianças.
Segundo o órgão, a prioridade é garantir que as empresas de tecnologia cumpram as leis britânicas, mesmo operando em escala global. A reguladora pode aplicar multas significativas em caso de descumprimento, o que representa uma mudança de postura em relação à autorregulação do setor.
Impacto para as big techs
As novas regras impõem obrigações claras a gigantes como Google, Meta e TikTok, que terão que adaptar suas operações no Reino Unido. Entre as exigências, estão a remoção rápida de conteúdo ilegal e a implementação de verificações de idade mais rigorosas.
Especialistas apontam que essa regulação pode servir de modelo para outros países, incluindo o Brasil, que discute projetos semelhantes. No entanto, críticos alertam para possíveis riscos à liberdade de expressão e à inovação.
Proteção de crianças e adolescentes
Um dos focos centrais da atuação da Ofcom é a proteção de menores. A reguladora tem pressionado as plataformas para que adotem ferramentas que impeçam o acesso de crianças a conteúdos impróprios, como pornografia e violência.
Dados recentes indicam que uma parcela significativa de jovens britânicos já teve contato com material nocivo online, o que reforça a urgência de medidas efetivas. A Ofcom defende que a responsabilidade não pode recair apenas sobre os pais, mas também sobre as empresas que lucram com esses serviços.
Desafios e perspectivas
A implementação das novas regras enfrenta obstáculos, como a dificuldade de monitorar plataformas que operam em múltiplas jurisdições e a rápida evolução das tecnologias. Ainda assim, a Ofcom se mostra determinada a exercer seu papel de forma rigorosa.
O Reino Unido se posiciona, assim, como um dos líderes mundiais na regulação do ambiente digital, com potencial para influenciar políticas em escala global. Resta observar como as big techs reagirão e se outras nações seguirão o exemplo britânico.



