A visita do Papa Leão XIV à Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, neste mês de junho de 2026, trouxe à tona um antigo conflito. Enquanto a Igreja celebrava a conclusão da torre central, moradores da região manifestaram medo de que a obra leve à demolição de prédios e ao despejo de centenas de famílias.
Obra centenária e seus impactos
A Sagrada Família, projetada pelo arquiteto Antoni Gaudí, está em construção há mais de 144 anos. Com a benção do Papa, a torre de Jesus Cristo foi finalmente inaugurada, tornando a basílica a mais alta do mundo. No entanto, para completar o projeto original, é necessário expandir a área ao redor, o que implica a remoção de edificações residenciais e comerciais.
Protestos e resistência
Moradores do bairro do Eixample, onde a basílica está localizada, organizaram protestos durante a visita papal. Eles alegam que a expansão prioriza o turismo em detrimento da qualidade de vida local. "Não somos contra a igreja, mas sim contra a especulação imobiliária que nos expulsa de nossas casas", afirmou uma líder comunitária.
A fundação responsável pela obra defende que segue rigorosamente os planos deixados por Gaudí. Segundo comunicado oficial, "a conclusão da Sagrada Família é um anseio mundial, e todas as medidas necessárias serão tomadas com respeito aos moradores".
Turismo versus moradia
Barcelona já enfrenta uma crise habitacional agravada pelo turismo de massa. A chegada de milhões de visitantes à Sagrada Família pressiona o mercado imobiliário, elevando aluguéis e forçando a saída de residentes antigos. Organizações de direitos humanos criticam a priorização de obras religiosas em detrimento do direito à moradia.
Enquanto o Papa abençoava a torre, ativistas exibiam faixas com frases como "Gaudí não despeja" e "Barcelona é para todos". A polícia local monitorou a manifestação, que transcorreu de forma pacífica.
O futuro da basílica
A previsão é que a Sagrada Família esteja totalmente concluída em 2030, mas o impasse com os moradores pode atrasar o cronograma. A Igreja Católica, por sua vez, reforça o caráter simbólico da obra, que representa a fé e a cultura catalã. Resta saber se o desenvolvimento urbano conseguirá equilibrar preservação histórica e justiça social.



